LUIZ GERALDO MAZZA
Como se vê, nem o imediatismo da crise que leva ambas gestões a acrobacias para fechar as folhas de pagamento do funcionalismo em fim de ano, mormente o 13º, leva à reflexão
Quebrados e com pose
Os últimos eventos ratificaram que os governos estadual e o municipal de Curitiba estão quebrados, sob pressão de credores. Mas nem essa evidência de quebra (ela só se tornaria efetiva politicamente se ambos deixassem de pagar os barnabés) lhes retira a pose de gastadores. O prefeito, por exemplo, insiste no metrô em meio a reação dos organismos sociais contra o aumento da tarifa de ônibus: assume uma dívida enorme para um desperdício inútil num itinerário atendido com eficiência no sistema atual que estabelecerá o caos com as escavações que durarão muito mais do que o cronograma imaginado e alvo possível da patologia de sempre com superfaturamento e vazamentos como os havidos com metrôs e trens em São Paulo e até hoje mal denunciados e nunca julgados.
O metrô para valer deveria ser estruturante e não evidência de superposição e paralelismo, expressões do desperdício, animadas pelo fato de que a União e o governo estadual se associarão ao empreendimento. Só que essa grana é fungível como a lesma submetida ao sal. Como se vê, nem o imediatismo da crise que leva ambas gestões a acrobacias para fechar as folhas de pagamento do funcionalismo em fim de ano, mormente o 13º, leva à reflexão.
É que com o metrô (cada dia de atraso é um gravâme de R$ 500 mil) mexeram no imaginário de parte da população que vê nele uma expressão de avanço cosmopolita como se apagássemos da nossa mente os feitos de Curitiba em urbanismo, tão proclamados em várias partes do mundo, e estivéssemos, à maneira de Pedro Bó, na aldeia, saudando a chegada da fonte luminosa. Só que essa ao menos tem a vantagem da contemplação poética e da descoberta sobre o tatuzão devastador.
Gastos
Não é compatível com o apelo da redução de 30% em despesas de custeio o programa do governador interino em viagens ao interior. Como se percebe trata-se de uma questão cultural esse tipo de protagonismo. Lembra um pouco daquele presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcante, embora modernizado com os "torpedos" da internet, mostrando-se indignado com os gastos da Defensoria, mas jubiloso com as artes marciais dos seus seguranças contra professores.
Menos grave
Flagraram dois presos da Custódia soltando foguetes numa hora em que havia demonstração de capoeira como lazer. É melhor que motim, mas expressa aquilo que é inegável: falta de autoridade.
Concórdia
Ministério Público do Trabalho e Reitoria da Universidade Federal fechavam ontem um acordo em torno dos servidores da Funpar: comprometeram-se a não demitir nenhum deles nos próximos cinco anos.
Reversão
Setores do Judiciário paranaense acham que é possível uma reversão no CNJ, Conselho Nacional de Justiça, em relação ao ex-presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Clayton Camargo.
Barricadas
Movimentos sociais ligados à defesa do transporte público programam novas manifestações como se viu ontem no cerco à prefeitura de um grupo que insistia em uma audiência com Gustavo Fruet. O Movimento Passe Livre vai pressionar na Câmara Municipal pelo andamento do projeto que o institui e como temos eleição para a Mesa haverá assanhamento. Por sinal que o ex-presidente (nada menos de 15 anos) e ex-vereador João Cláudio Derosso está na articulação do pleito.
Folclore
Durante toda a gestão Beto Richa o governo fez a apropriação de indicadores econômicos e sociais para mostrar-se, inclusive, acima da média nacional. Como agora os registros nada têm de bons esquece o assunto. O último foi o do quinto lugar nacional na morte de pessoas por policiais civis e militares. E nesse item somos absolutos no sul, perdendo como sempre em fatores sociais de catarinenses e gaúchos.





