LUIZ GERALDO MAZZA
Doações comutativas
Ontem os meios políticos estaduais botaram uma lupa nas contas das doadoras eleitorais com seus clientes públicos na Comissão Executiva da Assembleia Legislativa e lá constava que os quatro gabinetes receberam R$ 118 mil para um faturamento de R$ 614 mil entre 2011 e 2014 da Contrans, locadora de veículos.
Aparentemente a relação não é despropositada se a locadora não operasse em favor dos governos estaduais e municipal e há muito tempo em pacto, portanto, tradicional, de raiz. Resta saber se há racionalidade na relação mais ampla em termos de preço do serviço prestado, sabidamente eficiente. Cabe a órgãos, desde que empenhados na própria independência, como a Controladoria (agora referida por Beto Richa para apurar uma desinteria salarial havida num órgão badalado, a Defensoria Pública) para esse mister e que criem a sua rotina em cima dessas deformações e que não existam apenas na hora da emergência.
Isso dá força à tese, já majoritária nos tribunais superiores, de proibição às doações particulares, mas, mesmo que a restrição seja adotada, não evitará a hipótese de paralelismos e superposições de grana por via discreta, embora uma das mais ousadas no propinoduto da Petrobras, se torne hoje devassada, graças às delações premiadas da Lava Jato e que teve continuidade ontem com os depoimentos do doleiro Youssef e mais quatro indiciados. O tema em pauta era o da cessão de R$ 4 milhões ao deputado José Janene no mensalão.
HSBC
A demissão em massa, de 800 a mil trabalhadores em rede nacional, levou ontem ao fechamento de 14 agências do HSBC na Grande Curitiba. Única forma possível de resistência é essa do aparato sindical. E a adesão coletiva decorre não apenas de uma solidariedade necessária porque a perspectiva de mais demissões é ameaça a todos.
Inadimplente
Tanto o Estado como a prefeitura da Capital vivem um mau momento diante da redução drástica de arrecadação em que as despesas sobem: trabalhadores da coleta de restos vegetais pararam de novo ontem quando os manifestantes lembraram que 4 empresas da área quebraram em função desses atrasos. No fim da semana foram liberados R$ 6 milhões para empresas de maior porte e as de menor "dançaram". O fato é que o acordo entre a prefeitura e o Ministério Público é que o pagamento teria prazo até hoje, razão pela qual a autoridade municipal se irritou com o cerco do Paço Municipal.
Moleza
A moleza no caso da explosão de caixas eletrônicos acabou: descobriu-se a vinculação de PMs que davam o acabamento perfeito às operações. Pelo menos com isso a autoridade não pode insistir na tese de que é mínima a pena para o furto qualificado. Ocorre que ele não se dá sem a "formação de quadrilha" e a obrigação primeira da Segurança era botar a mão nos criminosos, dando sinal de vida, e deixando de lado a discussão teórica da dimensão da pena.
Tarifa
A partir de hoje a tarifa de ônibus é de R$ 2,85, a mesma lá do ano passado quando o berreiro das ruas obrigou à redução. Agora entram em cena os grupos que se ligam à luta dos radicais do "passe livre" aos mais comedidos que levaram denúncia ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que se apurasse se não há ou não cartel, o que parece óbvio.
Folclore
O Brasil tem instituições fortes como o demonstrou no mensalão e o fará certamente no petrolão. E agora surge a notícia de que o Departamento de Justiça dos Steites avalia os desvios da Petrobras em função do interesse de acionistas da petrolífera naquele país. Agora só falta retornar o discurso da soberania nacional para enfatizar uma seriedade que não temos. Paulo Francis morreu por saber que seria condenado pela justiça ianque por não ter como comprovar suas denúncias contra a estatal brasileira que o acionou. Agora quem está no polo passivo é o governo e a Petrobras.





