"Isso dá força à tese, já majoritária nos tribunais superiores, de proibição às doações particulares, mas, mesmo que a restrição seja adotada, não evitará a hipótese de paralelismos e superposições de grana por via discreta"



Doações comutativas
Ontem os meios políticos estaduais botaram uma lupa nas contas das doadoras eleitorais com seus clientes públicos na Comissão Executiva da Assembleia Legislativa e lá constava que os quatro gabinetes receberam R$ 118 mil para um faturamento de R$ 614 mil entre 2011 e 2014 da Contrans, locadora de veículos.
Aparentemente a relação não é despropositada se a locadora não operasse em favor dos governos estaduais e municipal e há muito tempo em pacto, portanto, tradicional, de raiz. Resta saber se há racionalidade na relação mais ampla em termos de preço do serviço prestado, sabidamente eficiente. Cabe a órgãos, desde que empenhados na própria independência, como a Controladoria (agora referida por Beto Richa para apurar uma desinteria salarial havida num órgão badalado, a Defensoria Pública) para esse mister e que criem a sua rotina em cima dessas deformações e que não existam apenas na hora da emergência.
Isso dá força à tese, já majoritária nos tribunais superiores, de proibição às doações particulares, mas, mesmo que a restrição seja adotada, não evitará a hipótese de paralelismos e superposições de grana por via discreta, embora uma das mais ousadas no propinoduto da Petrobras, se torne hoje devassada, graças às delações premiadas da Lava Jato e que teve continuidade ontem com os depoimentos do doleiro Youssef e mais quatro indiciados. O tema em pauta era o da cessão de R$ 4 milhões ao deputado José Janene no mensalão.

HSBC
A demissão em massa, de 800 a mil trabalhadores em rede nacional, levou ontem ao fechamento de 14 agências do HSBC na Grande Curitiba. Única forma possível de resistência é essa do aparato sindical. E a adesão coletiva decorre não apenas de uma solidariedade necessária porque a perspectiva de mais demissões é ameaça a todos.

Inadimplente
Tanto o Estado como a prefeitura da Capital vivem um mau momento diante da redução drástica de arrecadação em que as despesas sobem: trabalhadores da coleta de restos vegetais pararam de novo ontem quando os manifestantes lembraram que 4 empresas da área quebraram em função desses atrasos. No fim da semana foram liberados R$ 6 milhões para empresas de maior porte e as de menor "dançaram". O fato é que o acordo entre a prefeitura e o Ministério Público é que o pagamento teria prazo até hoje, razão pela qual a autoridade municipal se irritou com o cerco do Paço Municipal.

Moleza
A moleza no caso da explosão de caixas eletrônicos acabou: descobriu-se a vinculação de PMs que davam o acabamento perfeito às operações. Pelo menos com isso a autoridade não pode insistir na tese de que é mínima a pena para o furto qualificado. Ocorre que ele não se dá sem a "formação de quadrilha" e a obrigação primeira da Segurança era botar a mão nos criminosos, dando sinal de vida, e deixando de lado a discussão teórica da dimensão da pena.

Tarifa
A partir de hoje a tarifa de ônibus é de R$ 2,85, a mesma lá do ano passado quando o berreiro das ruas obrigou à redução. Agora entram em cena os grupos que se ligam à luta dos radicais do "passe livre" aos mais comedidos que levaram denúncia ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que se apurasse se não há ou não cartel, o que parece óbvio.

Folclore
O Brasil tem instituições fortes como o demonstrou no mensalão e o fará certamente no petrolão. E agora surge a notícia de que o Departamento de Justiça dos Steites avalia os desvios da Petrobras em função do interesse de acionistas da petrolífera naquele país. Agora só falta retornar o discurso da soberania nacional para enfatizar uma seriedade que não temos. Paulo Francis morreu por saber que seria condenado pela justiça ianque por não ter como comprovar suas denúncias contra a estatal brasileira que o acionou. Agora quem está no polo passivo é o governo e a Petrobras.

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