"Seria impensável cortar as eleições nas escolas porque se fez hábito, passou a integrar o calendário e justamente o das mobilizações tanto o quanto o das demandas específicas por salários e melhora de condições de trabalho"

Balanço indispensável
O cisma entre governo e professores abre uma oportunidade para se analisar em extensão e profundidade se a adoção da eleição direta nas escolas trouxe algo de positivo. Esse suposto avanço veio em meio à enxurrada de reivindicações como resposta ao represamento, durante quase todo o regime militar, do sentido da participação cívica. Tudo tinha que ser decidido por eleição e o eleitoralismo veio junto com outras deformações como a do assembleísmo ao qual se poderia aplicar aquilo que Marx refletiu em "O esquerdismo, doença infantil do comunismo".
Na universidade o principal estrago das eleições foi o de ter posto abaixo qualquer sentido de hierarquia, indispensável à busca do conhecimento, da ciência e da pesquisa. O critério jamais foi o do mérito do humanista, do tecnólogo ou do cientista e sim a premiação do que distribuiu mais volantes na campanha, o de maior assiduidade nas assembleias. O sindicalismo devastador, com seu ímpeto massificante, tem horror à meritocracia como se viu nos debates da adesão do Hospital de Clínicas de Curitiba à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares e o seu obreirismo visceral se torna caricato num ambiente de busca de conhecimento.

Pensar, repensar
Pelo tempo da experiência já se pode fazer uma avaliação de ganhos e perdas e a ideia de prorrogar os mandatos atuais até modificar o modelo e com alguma capacitação prévia para dirigentes escolares não é má porque ela obriga ao exercício de uma reflexão até hoje não feita sobre a utilidade dessa novidade impositiva. É que ela veio na ruptura da barragem militar e chegamos a um momento em que se pensou até em eleições para comandos militares com a participação não apenas da hierarquia mas também dos praças de pré. Como de resto, basistas do Judiciário queriam a montagem dos tribunais superiores com eleições de toda a base da carreira e também funcionários. É perceptível a deformação.
É evidente que o governo poderia ter precedido essa mensagem de diálogo, a que está tão habituado especialmente nas questões de salários e quadros de carreira, mas se a incluiu num pacotão de recuperação fiscal, dada a crise em que se encontra, pode ter origem econômica, isso é não tem dinheiro sequer nem para custear o aparato de eleições em milhares de escolas. Como percebeu tarde essa deficiência teve que montar o improviso dos Refis e com os prêmios para quem pagar o IPVA antecipadamente a fim de melhorar as condições do caixa que nesses meses sofre um abalo de cerca de R$ 4 bilhões sem falar nos gastos com antecipação de férias, comuns à essa época.

Rotina boa
Seria impensável cortar as eleições nas escolas porque se fez hábito, passou a integrar o calendário e justamente o das mobilizações tanto o quanto o das demandas específicas por salários e melhora de condições de trabalho. Todavia é válido qualquer empenho em melhorar o nível administrativo dos candidatos o que se fosse exigido para políticos teria o estigma da infâmia. E a analogia levaria à conclusão que tanto Beto Richa quanto Gustavo Fruet no caso do governador e do prefeito da Capital tirariam nota baixa pelo mau desempenho especialmente na questão financeira por gastarem mais do que arrecadam, isso sem falar em deficiências mais genéricas.
Assim, pois, as eleições devem ser mantidas, mas aperfeiçoada a forma de preparar os futuros diretores. Quando Lerner, para melhorar a percepção, inclusive humanística e de cultura geral, criou em Faxinal do Céu um centro modelo de aperfeiçoamento foi combatido pelo primarismo sindical como se aquilo fosse uma "lavagem cerebral". Até essa desconfiança para melhorar o conhecimento revela que é indispensável fazer algo para cortar essa forma de condicionamento proletário sobre o fazer da educação limitado a preconceitos como o de um mestre do interior que doutrinava ser errado estimular a competição nas práticas esportivas com o que se atingia a essência do esporte que abre caminhos para a auto superação. Nem a lembrança do bom exemplo de Cuba removeria o catedrático de uma postura que crê ser de esquerda.

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