O paranaense blindado
Se não é mais mistério o nome do empresário que teria transferido em quatro prestações o R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi Hoffmann (trata-se de Michel Gelhorn do Shopping Total) persiste na penumbra, o que facilita as inevitáveis especulações, o do tucano de Londrina privilegiado por Youssef e referido por Leonardo Meirelles, alvo de um pedido de acareação por causa disso do advogado do doleiro e olhado como irrelevante no processo pelo juiz que preside a causa. O informe ligou o paranaense ao episódio da entrega de R$ 10 milhões ao presidente do PSDB, Sergio Guerra, já falecido, numa operação destinada a afogar a CPI anterior da Petrobras e na qual o senador Alvaro Dias, como sempre, era um dos mais firmes participantes.

A nova CPMI estava para convocar o tesoureiro petista, também conterrâneo, Vaccari Neto, mais a senadora Gleisi e justamente Leonardo Meirelles, todos alvo de blindagem, agora em comum acordo entre petistas e tucanos. Como se vê, o discurso de Aécio Neves, colocando a questão da Petrobras como essencial, se transforma em exigência relativa quando asas tucanas possam estar salpicadas de óleo, exatamente como se deu no mensalão em que o PSDB se fragilizou ante a evidência de que Eduardo Azeredo, antes, muito antes, fora beneficiado por manipulação igual em Minas Gerais nas obras de Marcos Valério.

O PT está alertado para o fato de que pode, outra vez, levar a pior para o PSDB, posto que esse tenha iniciado o mensalão em sua versão original, razão pela qual se empenha para criar atritos e explorar antinomias no processo das delações premiadas agora na etapa de convocação de executivos de empresas. São notórios os esforços para "melar", gerar conflitos, checar afirmações afinal dadas como verdades santificadas já que uma eventual mentira põe abaixo toda a argamassa do procedimento e se isso não for possível gerar suspeita e dúvidas e, mais do que isso, contradição nos depoimentos.

Há em direito prova irrefutável? Não em tudo o processo há de sustentar sua linha de contraditório. A delação premiada concede uma situação especial a quem dela se beneficia, o que não quer significar algo finalista, decisivo, mas sujeito igualmente à confirmação em provas. Daí o cuidado com a linha dos vazamentos e dos enfoques isolados como aquele de que Lula e Dilma tinham ciência do propinoduto e que foi usado para influir na eleição.

Perplexidade
A polícia não sabe o que fazer (em termos de serviço de inteligência) para mostrar-se viva e atenta na repressão aos ataques a caixas eletrônicos e acolhe a tese de que a pena irrelevante ao crime facilitaria a operação, acolhendo uma tese nada pacífica em Direito Criminal a de que a intimidação pela dimensão das sentenças inibiria o delito. Essa tese é a dos defensores da pena capital que sabemos não resolver também o problema.

A questão não é a pena, mas a impunidade e a incompetência policial para agir no caso. Como não estão prendendo ninguém pouco importa a dimensão da pena.

Percebe-se ainda que o fato de os criminosos não fazerem distinção nos lugares em que atacam (tanto pequenas localidades ou bairros periféricos como áreas centrais) revela uma flexibilidade de guerrilha e uma precisão que desnorteiam as autoridades.

Demissão
Demissão em massa no HSBC mostra que a recessão técnica do país chegou aos intermediários financeiros: se alcança áreas protegidas por subsídios como a das montadoras, driblando a crise com férias antecipadas aos milhares, deve estender-se a outros setores da economia. Mas os pesquisadores da Associação Comercial do Paraná detectam que as vendas de Natal crescem 5% em relação ao movimento do ano anterior.

Folclore
O discurso azul da presidente Dilma Rousseff ganha o tom vermelho, menos do PT do que da crise: alta dos combustíveis é apenas uma das primeiras medidas de ajuste. O dilema é conter os gastos públicos numa atmosfera populista e que rejeita o mínimo sinal de austeridade. Para nós na Capital a tarifa de R$ 2,85 a vigorar no fim da semana que vem é uma das consequências. Gustavo Fruet entrou pelo tubo.

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