Alvarizando Rossoni

Alvaro Dias pagou penitência aos professores durante muitos anos por causa dos tumultos de 1988 e das bombas de efeito moral. E mereceu-o porque tentou sair olimpicamente da pedrada atribuindo responsabilidades aos militares que simplesmente impediram a desmoralização que viria com a invasão do Palácio e cumpriram rigorosamente aquilo que lhes cabia fazer dentro das normas técnicas de procedimento em agitação de massas e a melhor forma de dissuadi-las.

É possível que passados tantos anos não poucos professores tenham contribuído para sua gigantesca votação no Senado. Mas a perseguição a Alvaro não foi nada desprezível: na disputa com Lerner, os mestres se colocavam diante do palanque e ficavam de costas e isso teve um efeito capilar na campanha.

Alguém deve ter lembrado da retaliação para fazer o mesmo com Rossoni que revelou ter uma falange de Ton Ton Macoute nada desprezível. Não há analogia nos episódios pela pouca expressão do acontecimento e pelo fato de o presidente da Casa, apesar do permanente culto à personalidade como o gestor moralista, ser também um personagem menor nesse nivelamento horizontal da classe política, tanto que se arvorou em ser o postulante ao Senado valendo-se do isolamento a que condenavam na cúpula do PSDB regional o Alvaro Dias, apesar da luta incessante desse como o permanente oposicionista aos abusos do lulopetismo em escala nacional.

Dá para imaginar o cenário que se estabeleceria se o professorado resolvesse, assim que Valdir Rossoni assumisse o governo no sábado, fazer celebração de protesto no Centro Cívico e durante o tempo em que permanecesse no posto. É claro que isso é apenas uma hipótese e seria um repique aquilo que a APP olha como afronta, ainda que reconheça ter havido transbordamento também da parte dos manifestantes.

Urge um sinal de descompressão: em 1988 o devemos a Rafael Greca que berrava no portão da Assembleia como se estivesse diante de uma ponte levadiça medieval e aos deputados Aníbal Khury e Antonio Anibelli, que a comandavam, e que facilitaram a ocupação da Casa pelos manifestantes até a poeira baixar.

Irônico: Rossoni imaginou ocupar o lugar de Alvaro e deu nessa. Como dizia Marx, a pretexto de corrigir Hegel: a história se dá como tragédia e se repete como farsa. É por isso, acrescento, que o país tem mais farsa que história.

Macabro
No Batel faziam reformas numa casa e acabaram encontrando uma ossada oculta nas paredes. Ajustado a um momento em que na cidade se encena a morbidez do Grand Guignol.

Quem é?
Curiosidade mórbida: todos querem saber quem é o empresário de shoppings que teria entregue o milhão para a campanha senatorial de Gleisi.

Cópia
Para aumentar a arrecadação, cada vez mais precária, aconselha-se o prefeito Gustavo Fruet a atualizar o IPTU e cobrá-lo também em escala progressiva nos inúmeros prédios abandonados da Capital como São Paulo vai fazer.

Folclore
Beto Richa está na contramão do pai, José Richa, que criou a eleição direta nas escolas e corre o risco de incidir em outra se atrasar o 13º, também iniciativa paterna. Outro feito de José Richa foi estabelecer a paridade de ganhos entre aposentados e o pessoal da ativa. Essa, por enquanto, não está nem de longe ameaçada.

Por falar em 13º ele vai drenar R$ 8,5 bi na economia paranaense e só no setor público estadual R$ 1,4 bi.

Campo Largo
Campo Largo é a expressão clara do mau funcionamento de órgãos públicos em acidentes naturais. Olha-se por lá e dá impressão que a tragédia foi ontem.

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