Por que não o Beto?
Se há motivo para pedir o impeachment de Dilma por que não haver o mesmo com Beto Richa? Dir-se-ia que há fundamentos no fato de a presidente não ter alcançado nem 40% das metas, o que se repete com o nosso governador de vitória bem mais consagradora, como também existem razões fundadas para acreditar na ligação da presidente e do ex-presidente com os malfeitos da Petrobras, a quebra do modelo financeiro expressa na corrida ao Refis aqui na aldeia. Os petistas não deram a cobertura que Beto Richa dá ao assessor que meteu a mão na grana da sogra fantasma, assegurando-lhe o foro privilegiado: tiveram o bom senso de deixar a justiça seguir o seu curso.

Sirva a comparação apenas para um objetivo: mostrar o ridículo das passeatas, incluindo as daqui em Curitiba e Londrina e em outros pontos do Brasil pelo impeachment de Dilma Rousseff. Um impedimento presidencial não é tarefa desse varejo, mas um fruto sazonado, bem assentado e documentado. O malogro da manifestação, ridículo pelo frágil poder de mobilização, mais desmoraliza seus proponentes do que aqueles que afinal pretendem atingir.

O Paraná pós Beto é melhor do que o anterior? Não, cada vez pior. Vide como se dá a escala da violência, a explosão de caixas eletrônicos, a retomada das rebeliões nos presídios, a precariedade do atendimento à saúde e à educação, a quebra do modelo de gestão financeira, as obras paralisadas, as suspeitas com relação ao pedágio desde a sua origem.

Há, no entanto, mais esperança em Beto do que em Dilma, haja vista a explosão de votos e a consequente vitória por aqui de Aécio Neves, embora as deficiências do governo que não cumpriu o que prometeu, mas mesmo assim segue mantendo sua base de apoio popular com a consagração das urnas.

Se tivemos paciência para manter a crença em Beto, temos todos os motivos para acreditar que o país tem instituições consolidadas e suficientes para ir além da contenção dos malfeitos como Dilma fez no governo e que vá a punição de todos e, se possível, com a restituição dos recursos desviados. Não se justificam o impeachment nem de um e nem de outro, mas é preciso manter a perspectiva de ativá-lo em caso de efetiva necessidade com qualquer infrator. Quem suspeitava afinal de Collor e depois de Zé Dirceu e não eram eles protegidos por maiorias parlamentares?

Hospitais
Novamente queixam-se os hospitais filantrópicos de não receberem do município da Capital transferências federais a que têm direito. Como sempre o devedor alega diferenças na fatura como faz com os coletores do lixo, com as empresas de ônibus (aí alega que o governo estadual deve R$ 5 milhões) e com empreiteiros de calçadas e varrição. Por que não pleitear o impeachment de Fruet pela retenção de verbas do SUS? A observação, como no caso de Beto Richa, é meramente pedagógica.

Tarifa
Estudo recente da tarifa técnica do transporte em Curitiba chegou a R$ 3,80 e que já estava em R$ 3,18 há muito tempo. Teremos novo ciclo de acertos para subsídio estadual.

Concurso
Validade do concurso para defensor público vence dia 15. Como não há a menor perspectiva de o governo bancá-lo por sua pobreza franciscana (a paranoia é ainda as três folhas deste mês, 13º e dezembro tudo em sequência), os que passaram farão manifestações bem mais justas do que a do impeachment.

Cataplasma
Band-aid e cataplasma não resolvem onde há necessidade de cirurgia, tal qual se dá na superlotação dos distritos (vide a última e sangrenta experiência do 11º na Cidade Industrial) e a má gestão das penitenciárias.

Folclore
Guerrilha digital já evidenciada na França e no Egito não é bem como imaginam seus operadores no Brasil: para cem mil, que se diziam dispostos a ir à rua para impinchar Dilma, menos de 5% atenderam o apelo. Quase como palavra de ordem em muro num tempo em que não havia tanta pichação e as paredes sedutoras.

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