Olhar do vizinho
Mês passado um vereador sugeriu obras comuns entre prefeitura e grupos organizados (condomínios, por exemplo) na Capital e agora temos outra novidade, essa mais audaciosa: auditoria cívica nos serviços de saúde. O líder metalúrgico Sergio Butka a comandou em São José dos Pinhais num contato com 270 mil pessoas em torno da atuação de 21 unidades de saúde. Cuidado imediato dele é com o caso dos seus colegas metalúrgicos nas montadoras e outras unidades a respeito de condições de trabalho e salários, já o mediato abrange o mundo em que todos vivem e as assistências como cidadão que recebem.

É a dimensão maior da ação sindical em movimento porque não adstrita aos embates na corporação profissional, um transbordamento mais nobre agora na perspectiva da cidadania o que abrangeria a relação do comunidade com os serviços públicos. Um exemplo para os professores, por exemplo, que priorizam a luta classista, mas pouco se lixam com os mestres sendo agredidos por alunos e as escolas alvo sistemático de depredações. É uma ampliação significativa da pauta sindical para estendê-la ao sentido maior da comunidade.

Pouco importa se há intenção política da liderança em fazer proselitismo que vai além da fábrica e dos embates classistas. É uma inflexão diferenciada, apesar da faina sindical já ter em si um temário asfixiante.

É verdade que há órgãos com essa função como o Ministério Público em ações que dizem respeito a interesses específicos e difusos da sociedade ou mesmo outras áreas de fiscalização do próprio serviço público em questão, no caso o atendimento à saúde. Prova de que vivemos um momento especial da vida política em acordo com a rebelião de junho do ano passado quando as massas ocuparam as ruas para berrar contra a omissão dos governos.

Multas
Teremos agora neste feriadão um teste para ver como será absorvido o aumento de 900% das multas de trânsito, prova de que decidimos apostar na repressão como forma extrema de educar. A impaciência diante de abusos como o da morte de 50 mil vítimas de acidente anuais levou a esse radicalismo porque já não bastam os esforços de sinalização para deter a avalanche.

Para a autoridade o bolso continua a parte mais sensível do corpo humano.

Cobranças
Retirado o projeto de Refis municipal dos debates da Câmara de Curitiba, ele deve retornar na segunda-feira. Cogita-se também do reajuste da planta de valores imobiliários, o mesmo há dez anos, no IPTU, e pretende-se cautela para não haver bloqueio judicial como o ocorrido em São Paulo. Fala-se em média ponderada de 25%. O fato é que com o baixo nível de atividade econômica as rendas caem e isso se dá especialmente no primeiro trimestre.

Na real
Sinalização com a elevação da Selic para 11,25% é de que a realidade é muito distante das versões paradisíacas eleitorais: estamos em recessão técnica e com viés de gravidade rumo à depressão. Famílias endividadas, queda natural no consumo e aumento da inflação mostram que são cada vez mais escassos os meios de intervenção eficaz do governo. A coisa tende a piorar justamente no período de férias. Cofres públicos esvaziados com despesas superando receitas levam a soluções de emergência como abate e parcelamento de dívidas fiscais.

Lona
Casas do Bacacheri atingidas pela queda de um avião ainda se exibem com as tradicionais coberturas de lona. Discussão sobre seguros a justifica.

Folclore
Airton Batista Júnior, o Tusquinha, diz que a presidente Dilma Rousseff jogou a final da Copa Brasil com o regulamento na mão: quem faz gol fora de casa (só aqui no Paraná foram 40%, o que não é pouco) leva a vantagem.

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