Sorvete na testa
Governistas espatifaram anteontem sorvetes na testa diante do malogro do "tratoraço" por uma manobra oposicionista, minoria brancaleone. A despeito da variedade temática do pacote, alguns deles ratificando a crise financeira, o que mais agitou, em termos de proselitismo, foi o adiamento das eleições nas escolas. Bastou isso para que duas explicações, na verdade especulativas, indicassem a causa: a primeira delas é que o drama fiscal é de tal ordem que não há grana nem para respaldar o pleito e entraria nos 30% de corte no custeio e a outra é que Beto Richa teria acertado com os atuais diretores essa prorrogação em contrato pré-eleitoral, embora a classe tenha recebido, apesar do estouro das contas, tudo o que pretendia, incluindo os 3% que faltavam do hora-atividade.

A arrogância e a soberba da maioria perderam para um outro fator: a lua de mel com o poder que não atinge apenas o governo como também a coorte aliada e que tem poder anestesiador, que bloqueia a inteligência, que segundo o deputado Plauto Miró gera voto certo na Dilma. Foi esse torpor que originou a derrota do governo e como o calor era forte todos se refrescaram no sorvetaço na testa. Como o governador viajou e seu regra três no Palácio Iguaçu é agora Valdir Rossoni a cobrança fica para depois do feriadão.

Refém
O governo se tornou refém do professorado, que como categoria é a mais bem organizada do funcionalismo, tal o número de vantagens que obteve ao longo do primeiro mandato de Beto Richa. Mesmo assim os mestres, ainda mais quando desafiados, dão mostras de resistência como quando o Conselho de Administração cortou aumentos e até pagamentos de atrasados aos barnabés o que bastou para que se mobilizassem e cercassem o Palácio Iguaçu. A questão agora não é de caráter econômico, mas moral no cumprimento do calendário eleitoral. Não aceitam os professores a ponderação de que é indispensável a reciclagem dos dirigentes na gestão escolar. O fato é que urge um corte epistemológico nesse tema: até que ponto é relevante essa eleição nos seus resultados práticos? A nota baixa dos alunos é reflexo da "vermelha" dos professores como as avaliações nacionais têm demonstrado.

Nostalgia
Antes um dos maiores núcleos da monarquia no Paraná era Jacarezinho, onde havia descendentes da família Orleans e Bragança. Embora estejamos longe de uma república, pela constância da relação íntima público-privado, como se vê nas eleições e em episódios como os da Petrobras, no plebiscito que ratificou a opção, tivemos gente importante como Mário Henrique Simonsen, talvez saturado com as nossas práticas, defendendo o regime coroado. Pois agora no dia 8 de novembro, em Curitiba, teremos um encontro monárquico sob o comando do príncipe imperial do Brasil, d. Bertrand. Os reis que o Brasil aceita são simbólicos como Pelé e Roberto Carlos, agora o Neymar.

Fogo
Baixa umidade no ar (ontem estava a 27%) e o calor forte causam incêndios e um deles, anteontem, se deu na área do complexo penal de Piraquara.

Ceasa
O Ministério Público do Trabalho voltou a atenção agora para as agressões aos trabalhadores da Ceasa do Paraná, mormente os carregadores.

Depredação
Para agravar a crise governamental há atos de depredação em Curitiba em unidades escolares no Boqueirão e Xaxim, com roubo de equipamentos, que custam muito dinheiro, matéria prima sabidamente escassa.

Folclore
Se o 13º atrasar, Beto Richa vai em direção contrária ao pai, José Richa, que o instituiu como norma nos anos oitenta. A eleição nas escolas também é criação do pai que a criatura decidiu rever. Em compensação Beto se reelegeu prefeito e governador e o pai não teve o segundo mandato executivo.

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