LUIZ GERALDO MAZZA
O interlocutor
Quem é o interlocutor da presidente Dilma, no próximo exercício, aqui no Paraná? Provavelmente os derrotados das eleições como Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo, o aliado Roberto Requião ou, quem sabe, o Doutor Rosinha, hoje sem voto e sem mandato. A presidente teve um desempenho sofrível por aqui, mas os votos que amealhou devem ter algo a ver com aqueles personagens. Há ainda o Gilberto Carvalho de longa e produtiva atuação no espaço.
A vitória de Beto Richa e mais a de Aécio Neves por aqui valorizam o papel político do governador até pela circunstância da função do Paraná no conjunto da economia brasileira. Isso não significa que a mentirinha da perseguição ao Estado tenha sido esquecida, até porque neste exato momento continuamos burlando a Lei de Responsabilidade Fiscal nos dispêndios em saúde, que não alcançam os níveis constitucionais (dos 12%), e nos gastos com pessoal ultrapassando os níveis máximos de tolerância.
A dramatização forçada na chantagem dos empréstimos e que por ser repetida como ensinava Goebbels ajudou a desconstruir a abatida candidata do PT, por causa do devastador episódio do seu assessor pedófilo Gaievski, serviu também para derrotar a presidente e sua equipe por aqui. Assim para ser honesto, a Beto Richa não há alternativa no seu diálogo com a União do que ocultar a lorota e tratar de adequar-se na questão fiscal, fazendo o máximo esforço para superar tais desvios e aí, sim, abrir caminho para um diálogo em que não há lugar nem para ressentimentos e muito menos para repetir acusações sem fundamento.
E trate de fazer, o quanto antes, a lipoaspiração no secretariado para dar o sinal de que austeridade em nosso caso não é capricho de burguês ornamental, mas uma profunda e incontornável exigência da realidade e do bom senso. É preciso ir bem além das receitas de cortes em despesas de custeio como essas anunciadas pelo diligente secretário Luis Eduardo Sebastiani.
Essa lua de mel com a prodigalidade precisa, o quanto antes, ser detida.
Golpes
Repetiu-se em maternidade de São José dos Pinhais o mesmo tipo de golpe que há tempos uma quadrilha aplicou em assistidos do SUS em Paranavaí.
Boi
O Ministério Público do Trabalho pediu a intervenção na unidade do JBS-Friboi de Santo Inácio por questões de insalubridade, uma intoxicação por amônia levou 66 trabalhadores a depender de intervenção médica.
Racismo
Além do racismo subjacente nas falas irracionais para sugerir que o Brasil de Aécio é melhor do que o de Dilma temos uma nova onda de "divisão" do país marcada pelo preconceito alimentado pela disputa eleitoral. O Brasil ainda está em processo de ajuste territorial, tanto que são recentes as subdivisões como as de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, de Goiás e dos antigos territórios, a própria construção de Brasília é contemporânea. Já vivemos aqui no Paraná a pressão aventureira dos que queriam recriar o Estado do Iguaçu. Na medida em que definimos nossa unidade e integração física nos vacinamos contra essas loucuras. Também no caso da União em que há muito por fazer na direção de unir e não de separar.
Jogo de braço
Disposição do governo em transferir a eleição das direções de escolas vai encontrar resistência: na CCJ Tadeu Veneri pediu vista do processo.
Folclore
Quando se fala tanto em seccionismo no Brasil por causa das eleições que mexeu no mosaico territorial dá para lembrar do deputado federal Pedro Lauro, aquele que brigava por sanitários públicos, e cogitou em discurso da anexação das Guianas. Pelo menos era para agregar e não retalhar, não dividir a pizza e sim incrementá-la. O constitucionalista Célio Borja abrandou a falta.





