Empulhação de sempre
Uma das maiores desonestidades intelectuais na política brasileira é essa caricatura de luta de classes transportada à disputa eleitoral de que se trata do pega entre ricos e pobres. Isso já prevalecia sob Getúlio Vargas, tanto o ditador quanto o estadista pós 1960, com a encenação de que era o pai dos pobres em luta contra os ricos, embora seus adversários tenham corrigido o slogan com o aditivo de que era a mãe dos plutocratas.

O dualismo centro versus periferia, urbano oposto ao rural, agricultura x indústria sempre fez parte dessa tensão dialética. O Brasil se tornou urbano, sua agricultura e pecuária se transformaram de ponta ao se ombrearem e até superarem as do primeiro mundo, mas na política o discurso se manteve o mesmo o governo era dos pobres e a oposição dos ricos, legenda que levou e manteve o PT no poder, posto que cada vez mais dependente de uma base de linha fisiológica nas alianças de sustentação, causa de todos os desregramentos.

Como o conflito alimenta o ressentimento, embora seja visível que a pobreza dos ganhadores é bufa, teatral, ela tem a eficiência de sempre: pessoas que há muito fazem parte daquele extrato que ultrapassa a classe média assumem, com máxima fidelidade e radicalismo, esse papel de excluídos.

Deriva dessa opereta o ódio ao capital e ao lucro, outra deformação nossa, como também a resistência à meritocracia posta como ideologia neoliberal e com raízes em nossa formação religiosa. Se os pobres sempre ganham eleições no Brasil por que afinal sua situação não melhora?

E nada mais adequado para os ressentimentos do que uma situação adversa com juros e inflação elevados, atividade econômica em baixa, como a que persiste no país, agora com a anestesia da vitória de Dilma contra os ricos que, como sempre, continuarão levando a parte do leão, boa parte deles no poder.

Imitação da Arena
O PT está imitando a Arena no final do regime militar: ganha nos bolsões de maior pobreza como se viu aqui nas vitórias na Ribeira (Doutor Ulysses, Cerro Azul) e na região central e em escala nacional naquelas áreas em que há maior número de beneficiários do Bolsa Família. Orgulho de governo não deveria ser o censo dos atendidos pela transferência de renda, mas sim o dos que por esforço próprio (seu trabalho, desenvolvimento da região) abandonassem aquela situação como referência de crescimento nacional. Para um setor acomodado dar o peixe é melhor do que ensinar a pescar.

Bóris x Alvaro
Embora o desempenho superior de Aécio Neves, o jornalista Bóris Casoi lembrou na Band que Alvaro Dias pode ser uma solução presidencial pelo PSDB. Na verdade ninguém se manteve em vigilância permanente em cima do governo petista quanto ele. Bóris é autor da pegadinha que levou FHC a perder de Jânio Quadros na disputa da Prefeitura de São Paulo sobre uso de maconha.

Zoológicas
Além das extrações normais do jogo-do-bicho houve essa semana a doação dos galos de briga e o retorno da tartaruga da casa de onde ela escapara.

Iguaçu
O rio Iguaçu já tem a fama de ser o segundo mais poluído do Brasil só perdendo do Tietê e agora os pescadores estranham o rareamento dos lambaris e se ligam a versões que vão dos agrotóxicos das lavouras à inserção de espécimes predatórias como o catfish americano e africano (claris) oriundos da ruptura de tanques. Exemplares de pacu e piraputanga têm sido apanhados.

Folclore
Como há padres formados em Paleontologia é possível conciliar o que sabem com o que pregam da teoria criacionista? Conheci um redentorista da minha paróquia, o mexicano Jesus Ximenes, que interpretava os papiros do Mar Morto.

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