O arranque final
Há uma tradição eleitoral brasileira: a de manter em atalaia seus fiscais para evitar fraudes e manipulações. Casos como o da Pró Consult apontado como manobra da Globo para atingir Brizola era simplesmente um esforço de apuração, com números vitaminados, para manter a equipe ligada. Manobra idêntica foi adotada no Paraná para beneficiar Túlio Vargas que disputava sozinho pelo partido oficial a cadeira de senador, enquanto José Richa tinha a sublegenda com Enéas Faria: a apuração oficial era viciada, bem maior do que a real, temendo-se uma evasão dos fiscais. Uma rádio, a Clube, e uma tv, o Canal 12, então sem a Globo, foram escolhidas para essa "estatística" e como editor de jornalismo acabei dando um resultado parcial de Londrina que saia dos controles interessados. O oficialismo poderia ter ganho o pleito, mas houve resistência de Canet Júnior, governador, ao nome de Cândido Martins de Oliveira em sublegenda. Túlio saiu na frente, mas a soma dos votos do MDB favoreceu Richa.

A despeito do tom emocional, de manipulação, entoado por Brizola, o que se visava era justamente manter ligada a fiscalização, pois nesse tempo era comum preencher voto em branco às vezes até em acordo de representantes partidários que acertavam dobradinhas, isso é, deputados estaduais e federais revezando o preenchimento da cédula, dois sufrágios de cada vez. Evitar debandada e esmorecimento era o objetivo dentre os muitos da arrancada final ao lado de outras ilegalidades como a de transportar eleitor e fazer boca de urna.

Na eleição deste fim de semana, depurada de alguns desses vícios, haverá também a indispensável mobilização para a arrancada final e que apesar das indicações da pesquisa e efeitos do debate pode alterar as expectativas. Pelo menos essa é a expectativa de quem está por baixo como sempre.

Lei Seca
Justiça concedeu de novo aos supermercados o direito de vender bebidas no dia da eleição como conseguira no primeiro turno. Já a Abrabar quer liberação nos restaurantes desde o almoço e tenta obter a franquia.

Suspeita
Há muito os órgãos do governo - Segurança e Justiça - abraçam a tese de que os guardas de presídio facilitam as rebeliões. Convenhamos que é mais fácil culpá-los do que enfrentar presos rebelados que mal sabem sustentar dentro das delegacias, tal o número de fugas, apesar do acanhamento do ambiente.

Mas é a tese dominante da investigação sobre o motim de Cascavel em que teria havido omissão dos guardas de presídio no evento com destruição patrimonial e cinco mortes. Essa visão tenta encurralar os guardas na hora de negociar a questão da jornada de trabalho nos termos do pacotão e outras demandas.

Regulação
Será inevitável, depois do pleito deste fim de semana, uma revisão nos critérios de atuação das empresas de pesquisa. Não é possível, como se viu ontem, a Sensus-IstoÉ, depois das publicações de Ibope e Datafolha, colocar Aécio com vantagem superior à de Dilma nas duas.

Outra questão pertinente é a da "bala de prata" da "Veja" com o informe de Youssef de que Lula e Dilma sabiam do esquema do petrolão. A antecipação da publicação em um dia aumenta suspeita de manipulação.

Há ainda o dado de que tanto o governo federal como os estaduais, o Paraná é um deles, têm contrato com o Ibope por exemplo.

13º
Nem todas as empresas do transporte coletivo de Curitiba pagaram a primeira parcela do 13º e esse é um tema que virá depois das eleições nas trombadas entre o sistema e a Urbs e Comec, estas acusadas de não repassar os R$ 7 milhões às permissionárias.

Folclore
No bordel da política não há lugar para virgem, a não ser a do horóscopo.

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