Apropriação indevida
Várias vezes tenho me referido ao oportunismo dos governos tanto o da União quanto estaduais e municipais ao se apropriarem, como seu mérito, dos chamados indicadores sociais e econômicos. Ontem, por exemplo, se deu destaque à queda da mortalidade infantil em Curitiba, a segunda do país estatisticamente atrás apenas da de Florianópolis. Antes que agentes municipais tentem interpretar o fato como algo que diz respeito à gestão Gustavo Fruet, tal como a presidente Dilma faz com números de sua gestão comparativamente a de antecessores, torna-se indispensável revelar que esses avanços dizem respeito à continuidade de ações profiláticas de vários governos com a rotina das vacinações e das melhoras no saneamento básico. E aqui, é claro, com a mediação de programas bem inspirados como o "Mãe Curitibana".

Esse é o fato relevante: a sequência de medidas é que tudo explica e não o feito do gerente de plantão. É verdade que alguns números favorecem a gestão atual da Capital, pois dizem respeito ao período de janeiro a outubro deste ano com o registro de 7,79 mortes em mil nascidos vivos, o maior registro até agora, quando no ano passado tivemos o indicador de 8,82. Floripa aparece em primeiríssimo com 5,8 por mil nascidos vivos para o mesmo período. Essa circunstância, a de colocar Santa Catarina à nossa frente, como de resto em indicadores sociais se dá com os gaúchos, fixa uma analogia que entendo como válida - a de apreciar o desenvolvimento conjunto do Brasil meridional como uma necessidade pelas semelhanças de fatores que em verdade nos identificam e aproximam.

Uma rápida visão dos números da Pesquisa por Amostra Familiar do IBGE é clareadora inclusive em elementos de consumo, isso é o universo de tevês e geladeiras, automóveis e artigos de higiene, isso sem falar na referência ao acesso à água e à energia que em passado recente não era tão pródigo nas áreas de invasão e de habitações rústicas.

O fato é que em safra eleitoral algumas pesquisas, que não convém serem divulgadas como se dá aqui com os números da violência e na União com os da pobreza, são às vezes justificadas no fato de que a campanha em andamento vedaria tal divulgação.

Pingue pongue
Não estamos em eleição regional, mas agentes da Urbs e Comec mantêm informes diferenciados: empresas de ônibus não viram o repasse de R$ 7 milhões, dos quais R$ 5 milhões seriam pertinentes ao subsídio do governo estadual. Pois a Comec diz não dever os R$ 5 milhões e que está tudo nos conformes.

Enquanto isso para ajudar os vereadores examinam a mensagem do passe livre, pela qual estudantes e trabalhadores desempregados não pagariam. E de uma forma demiúrgica, já que não teria, segundo esses pândegos, impacto na tarifa.

É a ótica do diretório estudantil predominando.

Pacotaço
O pacote contra motins nos presídios tenta transferir aos outros uma típica responsabilidade de governo: a de impedir celulares em seu interior e aí tentam culpar as operadoras de telefonia, esquecendo que tecnologicamente não é fácil fazer o bloqueio imaginado como mostrou Gui de Manoel, especialista em engenharia de sistema. Só despertaram depois de 23 rebeliões.

Bolada
Um adolescente levou no recreio uma bolada em Araucária e ninguém deu relevância ao ocorrido: de madrugada o jovem de 13 anos faleceu e como não havia conclusão pericial sobraram críticas à escola.

Folclore
A tia idosa está inconsolável: sua tartaruga de estimação saiu de casa e até imagens captadas nos vizinhos mostraram a marcha pelas ruas e sua captura por um motoqueiro. A esse registro zoológico da Capital outro: a PM apreendeu ontem na Cidade Industrial 29 filhotes de papagaio contrabandeados. "Bichos" do Paraná estão em destaque nas apurações da Lava Jato.

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