LUIZ GERALDO MAZZA
Volatilidade extrema
A percepção interna, apesar da externa sugerir o contrário, de que a economia brasileira vai melhorar (os sinais são precários como o da queda mínima da inflação que nos doze meses emplaca 6,6%) teria sido o fator principal da alavancagem de Dilma Rousseff nas pesquisas de intenções de votos. Algo definido, mas tão volátil quanto a assimetria entre esse fato e a oscilação da Bolsa de Valores.
Enquanto nas redes sociais a troca de agressões se intensifica e caminha para a irracionalidade, espera-se mais firmeza da Justiça Eleitoral em coibir os abusos dos dois candidatos, já que é mais fácil fazê-lo com eles do que com a plebe enfurecida. Por isso tudo o debate da Globo deve ser o fator decisivo: quem der menos mancadas se habilitará. Além do mais a Rede não tem um capitão donatário de sua estrutura como postulante como se deu no choque entre Collor, concessionário no feudo alagoano, e Lula.
Como tivemos mais debates dessa vez (naquela havia artistas de QI alto como Mário Covas, Brizola, Roberto Freire, Aureliano Chaves) os litigantes entram mais do que aquecidos e respaldados pela contundência dos programas eleitorais e por um acompanhamento mais próximo do TSE. Lula venceu o primeiro debate e perdeu feio no segundo e ainda foi prejudicado pela edição global que tornou o massacre ainda maior, uma das excrescências da história brasileira e que a Venus Platinada não ousaria, nas condições de hoje, reproduzir.
O público, por sua cultura política, está mais aberto em questões como a da nomeação de parentes ou da recusa de submeter-se ao bafômetro (essa ainda com a insinuação de uso de droga) do que para a gravidade de operações como as apuradas na Petrobras e que determinaram novas sentenças ontem alcançando nada menos de oito réus.
Por sinal que historicamente os acusados de conivência com a corrupção ganham as eleições como se dava com a aliança PSD-PTB prensada pela UDN que mais explorava o filão. E foi talvez um caso de entropia ou de fadiga do material que deu à corrupção um peso menor nas coisas ou até a convicção de que a patologia por aqui se torna inevitável. Além do mais nesse particular Dilma leva a vantagem de ter demitido vários ministros lulistas por malfeitos específicos naquilo que se denominou de faxina. Incompleta, como se vê, mas faxina.
Demagogia
Tramita na Câmara de Curitiba o projeto do passe livre, algo inviável até anos passados pela notória convivência da maioria dos vereadores com o sistema de transporte coletivo e a prefeitura. Hoje a administração, financeiramente quebrada e visível no atraso das contas de fornecedores e prestadores de serviço bem como nos postos de saúde construídos e abandonados, deixa tudo fluir como se não tivesse como conter a marcha dos acontecimentos, posto que no caso do plano de carreira do magistério tenha intervido.
É uma piada o argumento de que essa liberação não terá impacto na tarifa. É a vitória da teoria do almoço de graça como se isso já não ocorresse com as isenções totais do sistema a idosos e alguns servidores e as parciais aos estudantes. Espera-se que a prefeitura mostre a inviabilidade da ideia e que também os permissionários venham a reagir. O projeto isenta não apenas os estudantes, mas ainda os desempregados, talvez dentre eles os cobradores que perderam o seu espaço.
Quanto mais anistiado houver maior será a tarifa, pepino para trabalhadores que os vereadores dizem defender.
Folclore
Nessa história do propinoduto da Petrobras fica provado que o Paraná, embora não produza óleo ou petróleo e muito menos seja beneficiado pelos royalties, é quem mais aparece com o Alberto Youssef, o falecido Janene, o Paulo Roberto Costa (de Telêmaco Borba), o Vacari (de Terra Rica). E de repente a lista revela novos autóctones. Ainda persiste a queixa de que somos esnobados pela União.





