LUIZ GERALDO MAZZA
Nada incontestável
Revelações da Lava Jato, por parte de delatores premiados, não podem ter caráter absoluto e de incontestabilidade pelo simples fato de se valerem dessa perspectiva para enunciar a "verdade". É evidente que o público aceita em maioria essas versões como dogmáticas como se aureoladas por uma fiação transcendente que vai além da religião como se fosse confissão in extremis.
Além de tudo pesa aí a convicção de que o país está tomado pela corrupção há muito tempo e inexistem sinais de reversão e pior do que isso é um tipo de aceitação dessa moral frouxa e que tudo justificaria. Quando a presidente Dilma cita os casos ocorridos no governo Fernando Henrique como o do Sivam, do Banco Econômico e daquele esforço pela reeleição e mais as safadezas dos trens e metrôs em São Paulo tenta formar uma barragem contra os fatos atuais ligados à Petrobras. E que de fato ocorreram e não foram julgados.
Dá a impressão que o abominado princípio adhemarista do "rouba, mas faz" estaria se impondo como virtude na terra de Macunaíma. Talvez tenha sido esse tipo de raciocínio da falange lulopetista que esteja na raiz da baixa reação havida contra as primeiras apurações do mensalão, vistas até como deboche como aquele saque do comissário que tudo aquilo se transformaria em breve em piada de salão, uma vez que o delito admitido era apenas o de "Caixa 2", isso é a apropriação, pura e simples, de valores não contabilizados, eufemismo petista.
O fato de ser relevante esse tipo de revelação, compensada pela redução da pena, ela não pode fugir ao contraditório processual. Caso contrário, a palavra de um delinquente privilegiado operaria como sentença final. Se a maioria do povo acha que são verdades inquestionáveis isso não as livra do filtro de ouvir a parte contrária e checar o procedimento, indispensável à norma civilizatória.
Para desgraça dos donos do poder essa revelações se dão no andamento de uma campanha eleitoral e as acusações pedem algum tipo de defesa que certamente não o de uma estatística de afanos de ambos os lados que soaria como recurso de diversionismo tal como sugerir que Caixa 2 todos fazem.
Beto e Alex
Duas entrevistas na Gazeta: a do governador Beto Richa e do craque Alex. Quem marcou gols com uma trajetória de vida e juízo de valor sobre as coisas foi o jogador com mais autenticidade nos depoimentos e, sobretudo, humanidade. Beto é sempre o mesmo e no raciocínio prático time que está ganhando não muda.
A rotina
Defesa Civil era um organismo de emergência, agora é de rotina. Nada menos de 112 mil afetados pela chuva e vendaval na Grande Curitiba.
A mansão
O caso dos policiais encapuzados (apontados pelo governo como sindicalistas de oposição) que invadiram a mansão supostamente protegida, onde havia jogos e prostituição, começa a ter seus desdobramentos com a decisão da 11ª Vara Criminal determinando o afastamento de seis policiais civis e dois militares, dentre eles os delegados Marcus Vinicius Micheloto e Geraldo Celezinski, o primeiro ex-diretor da Polícia Civil. Consequência da intervenção do Gaeco nos acontecimentos. Mesmo processados (e a regulação impõe o afastamento) estavam em atividade, o que é compadrio demais e bem ao estilo da praça. Corporativismo impede a Corregedoria de funcionar.
Rebelião
Como ser mordido por um cão, dirão dentro em pouco os manuais de comunicação que rebelião em presídio (começou anteontem e acabou ontem em Maringá) não é mais notícia.
Folclore
Quando um político para mostrar austeridade exige uma devassa na repartição corre o risco solene de ser mal interpretado e contratarem uma garota de programa para aquele fim.





