LUIZ GERALDO MAZZA
Haja desconforto
Quando o delator premiado entregou o dirigente do PSDB, Sérgio Guerra, como tendo levado propina para arquivar uma CPI da Petrobras, viu-se como esse tipo de denúncia é de difícil contestação, principalmente quando o acusado morreu. É, no entanto, reveladora da permeabilidade dos agentes políticos a tais formas de sedução e de repente alcança o aparente beneficiário de tudo isso que aliás se deu com o mensalão que em sua menor escala, mais tímida, havia ajudado um dos cardeais do tucanato em Minas Gerais via Marcos Valério.
Claro que o mensalão é, como disse Roberto Jefferson, e já advertido por isso pelo STF e proibido de voltar a fazê-lo, o começo da operação que se transforma no petrolão. A distância de escala é visível: da artesanal à mais cosmopolita com mediação de lavagem de dinheiro e o saque de recursos dos consórcios de empreiteiras. É possível nesses pactos negociais esperar alguma reação dos doadores, beneficiados com superfaturamento, ou eles se subordinam a tais imposições sem qualquer alternativa?
O fato é que a pureza do PSDB e dos seus quadros não está em questão até porque o arranjo de Eduardo Azeredo com o operador do mensalão é mais do que visível e agora essa propina ao dirigente do partido para ajudar a matar a CPI da Petrobras ratifica aquela visão do público, cética ao extremo, de que todos são farinha do mesmo saco. Quando a delação não é seletiva, como parece, já que não se torna conivente com nenhum dos lados em litígio, ela ganha mais consistência e gera mais benefícios à opinião pública.
O PSDB, quando do mensalão, não soube valer-se do fato histórico, até para marcar posição, cogitando do "impeachment" de Lula. E não o fez por temor aos altos índices de popularidade, naquele momento, do presidente. Esse tipo de vacilo é da sua índole, daí porque as trutas da Petrobras não o favorecem na escala devida e que mais abatem o lulopetismo não pelas revelações feitas, mas especialmente por aquilo que ainda pode aflorar e liberar fantasmas e miasmas bem piores.
Marcou ponto
Para quem se saiu tão mal nas eleições regionais, a mobilização pró Dilma Rousseff, ontem em Curitiba, foi altamente compensadora pela participação de militantes e algum sinal de simpatia nas janelas dos edifícios por onde passou a caravana. Se cada debate é hoje decisivo para qualquer dos candidatos também essa aparição nas ruas tem a sua aguda relevância, mesmo quando respaldada pelos maiores derrotados do pleito como Requião e Gleisi Hoffmann.
Convencidos estão integrantes da base aliada que é preciso ir bem além do feito de ontem para a reversão de um quadro que tende a favorecer, por tudo que as pesquisas indicam, ao menos no Paraná, Aécio Neves.
O fato de Gleisi não ter ido ao comício, interpretado como um tapa de luva em Osmar Dias, é estranho por alguém que desde jovem se engajou na política, uma vez que o objetivo de recuperação da presidente e da aliança é mais relevante do que esses problemas de traço personalíssimo.
Medida
Como sempre segue-se a discussão: quantas pessoas havia na manifestação pró Dilma? Segundo os organizadores 12 mil, para a CBN e outras emissoras 10 mil. Não é pouco. Muita gente põe lupa em comício como se fez aqui com o das diretas e o maior de todos até hoje foi de Getúlio Vargas em 1950 com cerca de 60 mil pessoas numa cidade com 150 mil habitantes. Vargas falou da sacada do Braz Hotel e por isso a Rede Slaviero manteve o nome de Getúlio naquela ala.
Folclore
Estranha a postura da repórter do SBT diante do mau súbito, queda glicêmica, da presidente no debate: quando Dilma se recompôs para a entrevista a jornalista lembrou que o seu tempo, cronometrado, tinha passado. Feio, muito deselegante. Por causa de uma falha mnemônica (esqueceu o que era Procel) o petista Ângelo Vanhoni perdeu a prefeitura da Capital.





