Osmar, o renascido?
O ex-senador Osmar Dias, diretor licenciado do Banco do Brasil, é a nova esperança da campanha de Dilma no Paraná, depois da acachapante derrota do primeiro turno. Quando de sua visita recente a São Paulo acompanhada, de forma melancólica pelo senador Eduardo Suplicy e o prefeito da Capital, imaginou-se que a sua estada no Paraná também tivesse esse traço negativo com acompanhantes derrotados como Gleisi Hoffmann, Requião e a emagrecida e liofilizada bancada do PT.

Com a anunciada presença de Osmar Dias algo muda de figura. Expressão máxima do PDT estadual, no qual Gustavo Fruet, prefeito da Capital, aparece em hierarquia inferior, dá um embalo na campanha e no esforço de reversão. Algo era preciso acontecer para evitar o repeteco do massacre, ainda mais com os feitos eleitorais de Beto Richa e Alvaro Dias.

Em que canal, Osmar Dias pode operar? Simples: na conversação com os seus interlocutores do agronegócio em função até do exercício de suas atividades no Banco do Brasil. É da área, não um jejuno beneficiado politicamente e sim um forte militante da causa como o demonstrou nas campanhas de governador e do Senado.

Quem sabe com a presença dele, Gustavo Fruet faça agora o que dele se esperava na campanha eleitoral e que em nada ajudou Gleisi.

Objetivamente é o que se pode esperar: uma participação que anime Fruet e mesmo que não produza os efeitos necessários vale mais, muito mais, do que o simples e esperado apoio dos senadores Requião e Gleisi Hoffmann, maiores derrotados da refrega.

Como sempre, Osmar Dias demorou para ligar-se como já ocorrera nas disputas para o governo estadual e pode, numa emulação com o seu irmão Alvaro, trazer ao embate pelo menos uma energia nova, ainda que a caudal dos acontecimentos indique uma vitória de Aécio Neves, maior do que a do primeiro turno. Aliás no mapa do recente pleito Dilma venceu apenas no Centro Sul (23 a 6), no Noroeste (38 a 27) e no Sudoeste (27 a 10). Apenas em Paranaguá a surpresa de Marina Silva ter ganho dos dois adversários, conquanto no Litoral, de um modo geral, a vitória tenha sido de Aécio Neves por 6 a 1.

Parte do estoque de esperanças foi queimado ontem no debate da Band.

Teoria & praxis
Não há exemplo maior no Paraná do distanciamento de teoria e prática do que se dá na política penitenciária apontada ridiculamente como modelo quando só nos últimos meses tivemos nada menos de 21 rebeliões, recorde nacional, a última das quais, novelesca, em Guarapuava, e carregada de dramaticidade vista pelo Brasil inteiro. É o que se dá também com a segurança de um modo geral.

Como é que pode, pergunta-se, um governo que gasta mais do que arrecada e que por isso mesmo pode embrenhar-se nas teias burocráticas, outra vez, da Secretaria do Tesouro Nacional, por despender demais com funcionários e de menos com o sistema de saúde ganhar a eleição de forma tão devastadora? Essa é outra e relevante dicotomia: o descompasso entre as projeções eleitorais, a fantasia do eleitor, e a realidade que o constrange no dia a dia.

Pânico
Superada a suspeita do caso de Ebola no paciente de Cascavel há agora a história do seu retorno ao Paraná e com um clima psicossocial dos piores com ações até etnofóbicas contra gente que nem é da área endêmica como haitianos.

Urge uma ação esclarecedora para evitar o afloramento de discriminações como aquelas que ajudaram a nutrir o nazismo na Alemanha, quando se reclamava, em comícios de caráter nacionalista e xenófobo, que o mercado de trabalho era dos nacionais prioritariamente em razão dos muitos estrangeiros ocupados. É o ovo da serpente em incubação, a pior das moléstias.

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