LUIZ GERALDO MAZZA
Compulsão do golpe
Quando apareceram os primeiros vestígios do mensalão, ainda sob Lula, a primeira acusação era a de que tudo partia da mídia golpista. Na verdade as revelações do racha no poder, aliás com abundante gravação comprobatória, partiram de um integrante da base aliada, o deputado federal Roberto Jefferson, e que denunciou os detalhes da partilha operada pelo "primeiro ministro" José Dirceu.
Agora quando são liberados depoimentos de uma das dez ações penais da Operação Lava Jato, que não tramitam em segredo de justiça, quem estrila é a presidente Dilma Rousseff alegando o uso político da informação e novamente falando em "golpe" como já se dera com o evento anterior de dimensão mínima se confrontado com a catástrofe atual do propinoduto da Petrobras. O juiz Sérgio Moro explicou que os depoimentos relativos à delação premiada de Paulo Roberto Costa e Youssef permanecem sob sigilo e os levados à divulgação, posto que tratem do mesmo tema, "estão sujeitos ao princípio da publicidade".
Na verdade os feitos em tela não parecem ter atingido parte expressiva da população ou pelo menos a conexão não foi captada, razão pela qual a sua gravidade não chegou à massa eleitoral. É evidente que o pedágio dos 3% no meio de operações bilionárias superfaturadas é denúncia gravíssima e mostra que o petrolão é um mensalão com distúrbio glandular.
Ontem foi a vez do Ministério Público Federal ratificar o que o juiz havia dito em torno dos fatos enunciados e que não estavam sob sigilo.
Não é a primeira vez na história que uma eleição presidencial fica sujeita à intervenção do Judiciário e dentre elas dá para lembrar a da novembrada de 1955 em que foi negado ao presidente da Câmara Federal, Carlos Luz, assumir o governo porque os tanques militares já estavam nas ruas e foi lamentável ver o despacho do ministro Nelson Hungria sobre o episódio com o argumento final, acima dos textos constitucionais, mas em cima da realidade emergente, a do aparato bélico bem próximo do Congresso.
Há quem tema justamente isso: alguma decisão da instância superior, fixando bloqueios (embora o estrago já produzido) a novas revelações processuais.
Rebelião
Terminou a eleição e soubemos que a taxa de criminalidade teria crescido 15% no Paraná e agora não se trata de pesquisa, mas de um novo levante presidiário na unidade industrial de Guarapuava. Todavia de um modo geral ficamos sabendo que os negócios continuam e que o "Tudo Aqui" vai ser retomado. Esse lembra um pouco do Instituto Curitiba de Informática, do qual hoje a prefeitura da Capital é refém, uma capitania donatária, orgânica.
Outra mágica foi enunciada por Beto Richa: não haverá loteamento de cargos apesar dos 17 partidos, mais adesistas do PMDB, na fila da esperança. Promete ainda uma lipoaspiração na estrutura político-administrativa que atualmente, ao contrário do sabonete famoso, não vale quanto pesa.
Comércio
Com base em pesquisas e mais ainda no desempenho do "Dia das Crianças", a Associação Comercial do Paraná está prevendo um aumento nas vendas de Natal e Fim de Ano da ordem de 4% sobre o ano passado.
Sorteio
O sorteio de 105 sócios (a referência é ao aniversário do coxa) do Coritiba para assistirem jogos da nova arquibancada da Mauá premiou o Alex. Se o Alex senta na arquibancada quem senta no jogo, lá no campo, é o Coritiba.
Folclore
À cada denúncia contra o lulopetismo há a reação conhecida: a de que está em marcha um golpe como o de 1964. Incrível é a constatação de quem dá golpe, como ocorria com o mensalão e agora em escala maior com o petrolão, é que não é golpista, mas sim os que o combatem e denunciam.





