A anorexia do PT e aliados, que levou a oposição no Paraná ao nanismo, é um dos principais pontos de estrangulamento de sua manifestação



Sincronia em teste
A vitória esmagadora do PSDB tanto nas eleições regionais como nas de traço nacional criam condições excepcionais para o exercício de um papel estratégico por parte do Paraná no segundo turno da disputa presidencial. O que sobra, em função daqueles resultados, na base vencedora falta na dos derrotados. Se a campanha de Aécio Neves conta com Beto Richa e Alvaro Dias reeleitos, a de Dilma Rousseff só tem lideranças como a dela própria e de seus companheiros com altíssimo grau de rejeição na praça, como se inferiu dos resultados, o que já era anunciado nas pesquisas.

A anorexia do PT e aliados, que levou a oposição no Paraná ao nanismo com uma das mais baixas representações parlamentares da história, é um dos principais pontos de estrangulamento de sua manifestação. Dos que sobraram, Requião, do PMDB, até para sustentar a vitória na convenção que alijou adesistas, é um dos nomes fortes e isso porque há uma parte apreciável no PMDB (de certa forma autorizada pela convenção nacional também rachada), essa que esteve com Beto Richa, que apoiará Aécio Neves até para dar o troco do vexame regional.

Tenta-se especialmente em São Paulo e Paraná manter em alta a expectativa de "virada" criada na última semana do primeiro turno e buscar sustentá-la e em ascensão como forma de anestesiar o clima das pancadas, baixarias e também da "desconstrução", como se fez, de forma sistemática e sem pudor, contra Marina Silva e que se aplicará no postulante tucano, conforme previsão geral.

Jânio-Ney

Uma das vezes históricas em que a simetria operou na campanha foi na de 1960, densamente ideológica, quando oportunisticamente se lançou "quem é Ney é Jânio; quem é Jânio é Ney". Foi um dos fatores da vitória, dado o massacre de Jânio no general Lot, já que havia além de Ney Braga os postulantes Nelson Maculan e o professor Plínio Franco Ferreira da Costa. Havia um setor da UDN do norte paranaense, também janista, mas que apoiava Maculan e que poderia desequilibrar o pleito. Maculan, rigorosamente ético, apoiava, por causa da aliança PTB-PSD nacional, o generalíssimo Lot, que como ministro da Guerra detivera a "marcha da produção" dos cafeicultores do norte mobilizados contra o confisco cambial do café nos limites estaduais com aparato de guerra.

Houve apoio a Maculan, mas insuficiente para evitar a vitória de Ney, também facilitada pelo fato de, à época, não haver segundo turno. Criou-se também uma dependência - o que não se dá agora - de Ney Braga em relação ao governo federal, o que o ajudou, logo nos primeiros meses de governo: uma superprodução de batatas (Araucária, Contenda, Irati) aviltou o preço do produto e houve uma imperiosa necessidade de intervenção com o Banco do Brasil ofertando os R$ 2 milhões para a retirada de estoque e que permitiu ainda Paulo Pimentel, seu secretário da Agricultura, levar caminhões do tubérculo para distribuir no nordeste sob o título de "Alimentos para o Brasil".

Veto à cisão

Havia um grupo de intelectuais de esquerda no neysmo que desejou criar o comitê "duas espadas" já que o candidato do PDC-UDN era militar e ele, de forma peremptória, o impediu. É que havia um divisor ideológico entre nacionalismo e livre empresa, razão do veto, embora Jânio, contraditório, adotasse inflexões à esquerda como quando condecorou Chê Guevara, algo bem mais relevante do que os namoricos atuais com Bolívia, Venezuela, Equador até porque estávamos em pleno desenvolvimento geopolítico da Guerra Fria.

Quando da renúncia de Jânio, Ney Braga foi daqueles que insistiu para que o presidente reconsiderasse seu gesto em que havia todos os sinais do golpe populista de um retorno nos "braços do povo", todavia contido graças ao desguarnecimento de um dos flancos pelo governador paulista Carvalho Pinto.

Com a perda de Jânio, Ney se aproximaria de Jango Goulart em ações como a da titulação de terras no oeste-sudoeste (50 mil títulos) e no plebiscito pela volta do presidencialismo e tornaria ao lugar de origem no golpe.

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