LUIZ GERALDO MAZZA
Ficção e fricção
Uma das armas para ganhar mais de empreiteiras e prestadoras de serviço já foi o recurso formalíssimo do termo aditivo contratual. Se forem comprovadas as denúncias dos delatores Paulo Roberto Campos e Alberto Youssef vemos que o sistema se aperfeiçoou e que agora abre-se espaço para o superfaturamento com a cota pré-fixada da contribuição a partidos e outros beneficiários.
Se a arapuca é generalizada em todos os entes públicos - da União ao município passando pelas unidades estaduais - teríamos formas institucionalizadas de burlar todas as áreas de controle. O fato é que as revelações do propinoduto da Petrobras indicam que algumas praxes devam estar consolidadas como rotina, tal a desenvoltura com que são operadas. E de repente acabam justificando uma ação societária, isso é em que tais patologias são olhadas como inerentes aos negócios e contra as quais não haveria focos de resistência e qualquer ruído crítico seria visto, antes de tudo, como uma quebra de ética.
A esperança do autocontrole não estaria apenas em órgãos oficiais como a Controladoria da União, Tribunal de Contas, Procuradoria da República e Polícia Federal, mas também na concorrência, isso é interesses conflitantes como se deu, inclusive regionalmente, com o chio de concorrentes deixados à margem da seleção das obras do Anexo do Tribunal de Contas. Na medida em que houver uma relação pactual em grandes negócios - e suspeita-se que em menor escala isso teria ocorrido em obras da Refinaria de Araucária, como já foi denunciado - haveria menor espaço para contrariedade e teríamos ironicamente um estilo de cogestão a qualquer momento sujeito à congetão, isso é inviabilizado por excesso de participação. Algo capaz, enfim, de gerar uma peça do teatro do absurdo ao gosto de Kafka e Yonesco. Pelo jeito mais fricção do que ficção.
Um polo
Paraná não é apenas o polo da corrupção, já que o doleiro Youssef é da terra como se viu antes na CC5 do Banestado e é personagem forte do desdobramento da tensão na petrolífera. Agora somos atenção nacional pela suspeita do primeiro caso de Ebola no país como outro dia, também em Cascavel, despertamos a atenção por uma rebelião presidiária com cinco mortos. Felizmente na questão sanitária tanto autoridades municipais como estaduais agiram corretamente dentro dos padrões exigidos pelo protocolo internacional.
Precisamos urgentemente ganhar algum destaque em sentido inverso e no futebol certamente isso não se dá com os times paranaenses, à exceção do Londrina, ameaçando cair. Espera-se que venha da área política com a reação de Dilma Rousseff no desempenho do primeiro turno ou a ratificação de Aécio. Já seria, à falta de outra, uma compensação.
Escalada
De janeiro a setembro houve aumento de 15% na taxa de homicídios no Paraná que estaria se aproximando de 30 (28 para precisar) em 100 mil pessoas o que seria triplicar o percentual 10 que a Organização Mundial de Saúde considera epidemia. Três vezes mais seria pandemia?
Drama
Viajar pela BR-376 é um drama: ontem, durante mais de uma hora, houve um engarrafamento nas imediações da praça de pedágio de Tijucas do Sul de 11 quilômetros. Alega-se como causa o andamento de obras no trecho, mas isso se repete e há temor de que este fim de semana seja um sufoco.
Sempre HC
Não bastasse a nova crise no Evangélico da Capital, diz-se que no Hospital de Clínicas teriam suprimido o serviço de atendimento a crianças vítimas de violência sexual. Que não vão debitar o fato ao convênio com a Ebserh, firmado anteontem.
Folclore
Steve Reeves, no filme italiano, grita do alto da montanha "Eu sou Hércules" e dá uma reboladinha exibindo a sandália franciscana.





