LUIZ GERALDO MAZZA
A cloaca verte?
Audiências de ontem na Justiça Federal geraram expectativas além da conta porque dois dos principais atores dos chunchos da Petrobras, o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, estavam em cena, embora esse último sem a homologação ainda da delação premiada. A cloaca vai verter e terá influência no segundo turno da eleição presidencial que se juntará ao cenário negativo da economia, cuja previsão do PIB pelo FMI de 0,3% dá as dimensões da conjuntura em que nos encontramos.
Embora advertido severamente pelo episódio do mensalão, operação amadora se comparada com a da Petrobras, o lulopetismo, com extrema habilidade, conseguiu neutralizar, até aqui pelo menos, a conexão entre os desvios e a campanha da presidente Dilma Rousseff com esta se colocando numa postura olímpica ao afirmar que as instituições (polícia, ministério público e justiça) cumprem o seu papel de elucidar os acontecimentos. E poderá obviamente manter esse distanciamento brechtiano se as revelações não a atingirem de forma direta ou indireta retomando a imagem que cultuou da faxineira contra seus ministros.
Na hora em que forem revelados os nomes de senadores e deputados federais , ministros e governadores envolvidos é que se terá a exata dimensão de tudo, a capilaridade do propinoduto e a despeito da possibilidade de vazamentos o sigilo, mesmo parcial, impede efeitos maiores.
Não se trata da mitológica espada de Dâmocles sobre a cabeça da base aliada porque lembra um vertedouro de uma Itaipu de lama. A oposição tem um prato cheio que pode até ser mal aproveitado se agir compulsiva e fanaticamente sem um mínimo de contenção e cautelas. De outro lado, se disparar errado, nutrirá outro cacoete bem nosso: o do vitimalismo.
Clima
Ao considerar como em São Paulo que o sistema oficial se deu mal na eleição, Dilma Rousseff inclui o Paraná nesse tipo de avaliação. Uma análise objetiva da situação não é nada animadora diante do desempenho havido e da ausência de líderes do PT e base aliada capazes de uma reversão. Mais do que Gleisi, o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet, é uma das poucas referências, com potencial eleitoral, desde que saia da introversão em que se envolveu em tudo que diga respeito à gestão minada por problemas financeiros.
A obra maior do pacote prometido pela União, o metrô, é submetido a dúvidas e não funciona como catapulta para a minoria dos deslumbrados que o acham uma necessidade indispensável para a vida da cidade. Nem isso, portanto, ajuda.
Metrô é a fonte luminosa do passado, ambição municipal, transportada, com toda a carga de nostalgia, ao presente.
Alimentos
Na semana em que uma reportagem pedagogicamente mostrou a necessidade de monitorar o prazo de validade dos produtos do supermercado foi encontrado apreciável estoque de carne vencido.
Desvio
Denunciado um desvio de R$ 3 milhões na Câmara Municipal de Ponta Grossa em salários de servidores.
Deboche
A sessão do legislativo estadual de ontem ratificou o que se pensa dos nossos parlamentares: durou 20 minutos, para eles uma existência. Como os reelegemos é visível que nós é que estamos mal da cabeça. Espatifemos sorvetes na testa que se não aplaca a burrice ao menos é autocrítica, purgação de culpas.
Folclore
Quem vai liderar a campanha de reeleição de Dilma Rousseff: taxa de rejeição dela e de Roberto Requião nada animadora tende a manter-se atualizada, Gleisi teve menos votos em Curitiba do que a Cristiane Yared e Fruet mais parece uma tartaruga escondida no próprio casco.





