Mais complacência
O nanismo oposicionista no Paraná é a síntese da situação que passaremos a viver com as instituições, já amarradas pelas teias parenterais, submetidas aos seus vícios de tradição, o de compor e esconder as coisas. Se vivêssemos um período como o de Ney Braga e Paulo Pimentel, por exemplo, isso seria até virtuoso com o governo realizando obras numa escalada nunca vista, integrando física e culturalmente o Paraná. Aliás uma das marcas dessas gestões foi a da mídia estar integrada ao esforço comum, daí seu traço acrítico (o que é sempre negativo) mas ajudando o coral de otimismo e triunfalismo.

Todavia estamos num péssimo momento, e isso não quer dizer que o lamento melancólico de Requião tenha fundamento, pois o governo Beto Richa perdeu aquilo que no pós-neysmo poucos souberam conservar: a boa rotina das várias pastas sob um ordenamento o que inexiste agora, razão pela qual gastamos mais do que arrecadamos como se a prodigalidade fosse uma virtude.

Com a anorexia galopante da oposição e como não contamos internamente com freios na polícia, no Ministério Público e no Judiciário ficaremos dependentes de forças externas, precisamente como agora (órgãos federais), para que haja algum sinal de monitoramento. Uma autarquia confessional quase como o modelo dos totalitarismos.

O que resta de oposição se obriga pelas circunstâncias a profunda expiação de suas culpas, um ritual penoso e necessário de autocrítica, para um esforço de reversão. A precária base parlamentar não anula a capacidade de mobilizar nas ruas como se deu em junho do ano passado e agir através de sindicatos, ONGs e corporações para que expressem juízos de valor sobre os acontecimentos.

Pior, porém, será a missão dos vencedores conscientes de que o que está aí, embora eleitoralmente vitorioso, é deficiente, frágil e não correspondente ao vigor econômico e social do Paraná. Ganhou, mas está devendo e é inviável imaginar um bordão ideia força como o de JK de fazer 50 anos em cinco porque a escala das deficiências é muito maior pelo pouco realizado.

A bolsa
As razões de mercado, apesar de sua racionalidade específica, são favoráveis à oposição, antes com Marina, agora com Aécio e sua surpreendente virada. O mau humor com o lulopetismo é manifesto como já se detectara antes. De repente essa perspectiva a possibilidade de uma vitória oposicionista restabelece o diagrama que favoreceu Lula na vitória da esperança contra o medo. Quando Lula e Dilma venceram o mercado continuava mal humorado e só se aquietou depois.

Logo teremos pesquisas para saber a distância entre mercado e sociedade, a primeira delas, Datafolha, amanhã.

Melancólico
Nada teve do triste fim de Policarpo Quaresma mas foi patética a autoentrevista de Requião na internet: permanece por mais quatro anos no Senado e mostra-se debilitado para comandar o exército brancaleone que lhe restou se é que todo o PT o acompanhará. Assumiu como liderança maior ao lado de Gleisi a campanha de Dilma Rousseff no Paraná em momento visível de queda, o que lhe poderá render nova e acachapante derrota.

Depoimentos
Etapa importante da delação premiada hoje em Curitiba: Youssef e Paulo Roberto Costa e mais oito depoentes. Como a delação do doleiro não está ainda homologada, ele deve permanecer em silêncio. A pressão da CPMI segue junto ao STF para ter acesso às denúncias. Esforço é visível para neutralizar esses fatores na campanha do segundo turno.

Folclore
Tudo foi ruim, mas poderia ser pior: quase sai uma greve dos trabalhadores da coleta do lixo na Capital e a prefeitura conseguiu amainar a crise pagando, ao menos, a folha. A crise se alastra e há acusação de que não há conservação e zelo nas ruas da cidadania. A quebra financeira do governo estadual é maior, mas aparece menos do que a municipal.

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