Política Atualizado em 04/10/2014, 23:00
LUIZ GERALDO MAZZA
Obviamente a maioria esmagadora dos candidatos nanicos sabiam desde o início que dificilmente se sairiam bem nas eleições, mas aqueles que aparecem como alternativas válidas (o terceiro lugar nas pesquisas) ainda confiam num remoto milagre no dia de hoje. De um modo geral as pesquisas se apresentam como oraculares (têm um pouco daquele de Delfos) tal a seriedade com que são encaradas. O que não podem, principalmente os que estão em primeiro e segundo lugares, é baixar a guarda e perder a concentração. Deixar o depósito de material eleitoral da campanha de Beto Richa sem a necessária guarda, como se viu na quinta-feira, é algo imperdoável a não ser que haja a certeza de que até para baixaria o QI da rapaziada baixou. Barracão eleitoral não é o santo sepulcro, mas precisa de guarda equivalente. No meu ponto de vista nessa eleição, como aliás já se deu em outras, a única alternativa para o eleitor é descobrir, o que não é fácil, o "menos ruim". Assim se parte de uma plataforma zerada e que considera os postulantes num nivelamento por baixo. Como um juiz de direito ao aplicar a dosimetria para fixar gravames ou reduções de sentença precisamos avaliar com cautela a ruindade dos candidatos. O "menos ruim" tem uma relação oblíqua com o mal menor, também uma escolha, do Santo Tomaz de Aquino. Há uma semelhança entre uma coisa e outra, ainda que isso afronte o raciocínio dos escolásticos.
É claro que afastada a interferência da utopia, já que só os muito ingênuos ainda a levariam em conta, é perfeitamente possível, conquanto difícil, no peso dos fatores negativos, descobrir os de menor ofensividade. Beto Richa, por exemplo, fez um mau governo, mas os que nele acreditam e as pesquisas apontam não ser poucos, acham que agora se redimirá, fazendo o que prometeu e não cumpriu e quem sabe até surpreendendo no ritmo de dois anos, uma vez que no terceiro preparará sua campanha para o Senado, uma vez que se obriga a se manter com mandato, passando o bastão para Cida Borghetti que, à moda do Luciano Ducci, pinta como postulante possível à reeleição. Aí está um aspecto indispensável da avaliação, levar em conta os fatores sequenciais de como se acomodarão os interesses em jogo. Se for Beto ou Requião o escolhido sabemos que numa coisa convergem: não têm qualquer restrição ao nepotismo e a Cida é de tradição no ramo com o marido Ricardo na Câmara e a filha, Maria Vitória, na Assembleia. Portanto descobre-se na avaliação o que há de comum entre todos. Quem pode ser mais austera, não apenas no discurso como na prática, é a Gleisi, por ter uma vida discreta e não parecer ligada ao patrimonialismo.
Se quisermos mais contradição, o que pode significar mais dialética no governo, aí ninguém bate Roberto Requião. Vai suscitar um tema mundial (como fez com a guerra aos transgênicos) e outro regional (o baixa ou acaba do pedágio). A vacina contra o Ebola e a volta das estradas da liberdade poderiam ser a nova "ideia-força". E é claro a volta da escolinha, uma vez por semana, escolhendo adversários para bater e poucos amigos para exaltar. De uma coisa todos podem ficar certos: não haverá espaço para a tranquilidade; o furor, como um vulcão em atividade, virá lá do Palácio ditando o rumo das tempestades.
Em investimentos preferirá proteger os micro empresários e recolocará à entrada do nosso território o espantalho para empresários brasileiros e os transnacionais como fez anteriormente. Expectativa de maior racionalidade, como há em relação a Aécio Neves depois do debate, seria a de Gleisi, desconstruída como um atleta que perdeu uma das pernas, mas seguramente a mais bem articulada, como o demonstrou aqui na FOLHA e na Gazeta do Povo nas entrevistas concedidas. Eliminada antes da competição deixou de ser uma alternativa viável entre candidaturas polarizantes. Na axiologia particular deste escriba é seguramente a menos ruim.





