LUIZ GERALDO MAZZA
O feudo é aqui
Há diferenças fundamentais entre o Ministério Público estadual e o federal: o nosso se retrai, no andamento da campanha eleitoral, nas sanções que poderiam atingir deputados estaduais envolvidos nos rolos dos fantasmas desde aquela Operação Gafanhoto, tanto que o único dos sentenciados é Moysés Leônidas que não aspirava reeleição. Enquanto isso o federal, embora a condição de Requião como postulante ao governo, dá parecer negativo a um recurso do senador sobre sanção sofrida em torno da "escolinha".
Tinha sobras de razão o jurista Rui Cirne Lima quando estabeleceu simetria entre o federalismo e o feudalismo. Dá a impressão que o poder local no país é inepto para tomar iniciativas. Entenda-se como poder local a polícia e o MP. Dá para percebê-lo nessa oportunística situação dos cavalos do Requião: como investigar isso sem desconsiderar que a própria corporação cometeu o crime de prevaricação ao omitir-se de agir em defesa do patrimônio público? Ocorre que fazê-lo é ferir a regra sagrada da proteção autárquica e isso se dá também com o Tribunal de Contas, raramente ativo, para condenações do governo sempre se equilibrando em restrições doutrinárias evitando a sanção.
Essa cordialidade intrapoderes é histórica e está presente na suspeita do acerto geral em torno do Caixa Único, acesso aos depósitos judiciais mais a eleição de Fabio Camargo no TC sob o exame do CNJ e que só rendeu o afastamento, até agora, do pai, Clayton Camargo, presidente do TJ.
Como dizia Carlos Drummond de Andrade num sarro sobre talentos ao recolocar a hierarquia do poder federal, o mais alto: "enquanto o poeta municipal discute com o poeta estadual, o poeta federal tira ouro do nariz".
Outra coisa: não há sentido em discutir criticamente o feudalismo e a oligarquia dos Renan Calheiros, dos irmãos Cid e Ciro Gomes e dos Sarney como se elas estivessem anos-luz distantes das nossas que reproduzem aqui o mesmo e reprovável modelo.
Surpresa
Uma pesquisa nacional aponta que o Brasil meridional, o sul-maravilha, é, de fato, a área mais politizada do país. A realidade das desproporções entre nós e outras regiões, especialmente o sudeste, a mais rica, é notória.
Horror
A morte da mocinha de 16 anos por uma bala perdida, de origem policial, em Santa Cândida, mais o ataque turno com fogo no corpo de moradora de rua nos colocam de forma indelével no mapa da morbidez.
Embotamento
O público brasileiro, por causa da frequência dos escândalos, está perdendo a capacidade de se indignar: o fato de o operador Paulo Roberto Costa se dispor a devolver os R$ 70 milhões, uma Megasena, a sua parte na pilantragem da Petrobras parece ser um fato comum que devemos metabolizar com naturalidade, algo como um acidente de trânsito ou até um pum no elevador. Haverá sedução no talento para a corrupção bem engendrada? Caminhamos para o embotamento.
Se só a parte dele era tudo isso dá para imaginar o que levaram os chefes.
Homoafetivos
No matrimônio coletivo da Prefeitura de Curitiba haverá, para destacar-lhe o pluralismo, dez casais homoafetivos. Intolerável o recuo da prefeitura nas redes sociais com medo da reação da bancada evangélica. Imaginem como agirá a gestão Fruet quando houver assunto verdadeiramente grave. Mais um desfruet inaceitável num dos poucos políticos nossos com alguma medida de estadista.
Folclore
Na escolha de Costa e Silva para presidente houve uma convenção regional em que a Arena apoiou ele e também Ney Braga, este com maior votação. Foi a causa de um inconformismo militante contra o líder paranaense por parte dos falcões. Uma época, apesar da ditadura, em que havia sentimento regional, o que não se dá hoje em ambiente democrática com a mediocracia deitando e rolando.





