Óleo no segundo turno
Já se percebeu que o propinoduto da Petrobras não chegou ainda às intenções de voto, a despeito da gravidade das denúncias e que se tornarão mais amplas com as revelações do doleiro Youssef. Até agora não houve a conexão, mas será impossível evitá-la no segundo turno.

Em que pese o processo correr em segredo de Justiça será inevitável que alguns vazamentos cheguem aos momentos finais da campanha e na medida em que o comprometimento atingir parlamentares e empresários, de forma capilar, não adiantará a presidente da República invocar em seu favor e do governo a iniciativa das apurações pela Polícia Federal. Afinal também no mensalão as instituições funcionaram, o que não livrou figurões do lulopetismo da Papuda.

De qualquer forma a blindagem, até aqui exercida com muita competência, poupou Dilma Rousseff. Também a recessão técnica, que está aí nas férias obrigatórias de 4 mil metalúrgicos em Curitiba e na paralisia da economia e numa previsão comercial de Natal fraco, mostra que esses sinais já aparecem nos dias seguintes ao pleito e enunciando o pior ainda na vigência do segundo turno. O arsenal do governo para reduzir tais impactos é precário, mas como jogamos no emergente suas ações, ainda que meramente miméticas e de despistes, podem neutralizar parcialmente os efeitos negativos.

O fato é que enquanto persistir a alta de Dilma, o triunfalismo anestesiará tudo, menos a tal lógica do mercado e das ações, para a qual sob o ponto de vista ideológico-doutrinário, até por ser expressão visceral do capitalismo, a turminha não está nem aí para esse tipo de abalo, mais cínico do que sísmico.

O esperado
Enfim a baixaria, que se anunciava, ganhou corpo na penúltima hora com a invasão do barracão de materiais de campanha de Beto Richa. Pergunta-se: pode um exército brancaleone de poucos integrantes invadir uma instalação dessas como aconteceu? Prevalecem versões: a de que os invasores foram lá para pegar documentos ilegais contra Requião e Gleisi o que é bandeira demais para o adversário e a de que os invasores é que levaram o material. Deixar uma instalação eleitoral mal guarnecida ou é certeza de que acredita nas pesquisas e que já faturou a parada ou fez isso mesmo para ser invadido e enquadrar os autores da ousadia e ameaçar prendê-los como aconteceu. Como diria Pirandelo "assim é se vos parece".

Assinou
Alberto Youssef assinou a delação premiada e começou a vomitar no ventilador.
Pancada é assim: faz-se sem anunciar como na bala de prata de Requião que vira bravata e tiro no pé.

Gleisi
Do material apócrifo, procurado no depósito da campanha de Beto Richa, o de mais destaque era contra Gleisi Hoffmann que a mostrava junto com o pedófilo Gaieviski, ex-prefeito de Realeza, duas vezes, e assessor especial da Casa Civil. Diga-se, a bem da verdade, que Gleisi entrou na campanha desconstruída por causa disso e mais ainda das atuações de André Vargas. Como saber da natureza de um delinquente tanto num caso como no outro.

Dos três principais candidatos o mais próximo da racionalidade foi Gleisi com um domínio da experiência tecnoburocrática e capaz de emitir conceitos sólidos na matéria. Ela foi desidratada, liofilizada, antes da campanha começar.

Folclore
O episódio do barracão eleitoral deu margem a exercícios nas redes sociais e a suposta prisão dos invasores foi explorada à exaustão. Na verdade não foram presos, embora detidos algum tempo no depósito (cárcere privado). De uma coisa estão certos: a de que prenderam a atenção.

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