O laranja errado
O vexame da bala de prata já era esperado, mas ficou demonstrado o despreparo do PSDB ao utilizar o Orlando Pessuti como vacina sem conhecer a natureza do ataque. Teria ele força simbólica, prestígio e representatividade, para o exercício de papel tão grave quando fora do poder está menos credenciado que o Doático Santos para as ações mais pesadas da dissidência peemedebista?

Prova de que o temor produzido pela ameaça de Requião - e a consciência dos pecados cometidos ao longo do tempo ou recentemente da parte dos tucanos - gerou o desespero. Resta agora Requião descobrir que pecados são esses para denunciá-los em detalhes. Certamente não foi também o uso do espaço público do governo e do computador oficial ou da residência particular, comprovado por peritos da área, segundo Requião, que levariam o PSDB ao desespero.

O pior é que nesse dia o Ibope admitia que Beto poderia ganhar no primeiro turno a disputa, fato que nem deu para comemorar por causa dos semblantes carregados de medo por causa da tal bala de prata que expôs o sentimento de culpa de todos diante das difusas possibilidades de crime.

A partir de ontem já não se podia prender ninguém a não ser em flagrante, conforme norma da justiça eleitoral, mas o caminho permanecia aberto para prisões de ventre e o seu contrário como os fatos o demonstraram.

Uma dos cuidados em campanha eleitoral, nos momentos acirrados, é saber usar o laranja certo. Ataulfo ensinava "laranja madura na beira da estrada/ está bichada, oi Zé, ou tem marimbondo no pé".

Quem quebrou
Uma das expectativas do debate de ontem era saber quem mais quebrou o erário, se Beto, Requião ou se o drama vinha lá de Lerner e operação CC5 Banestado ou ainda se Gleisi era, como sugere o PSDB, a culpada maior por bloquear de forma exasperada os nossos empréstimos. No final da arenga todos, como sempre, se acharam ganhadores, o que afinal ratificariam nos seus jornais de campanha.

O caixa pode ir mal, como sabem fornecedores e prestadores de serviços, mas as folhas do funcionalismo devem ser garantidas até o fim do primeiro turno, como o demonstrou anteontem o governo pagando-as antes da greve bancária.

Não chega
A ascensão de Dilma Rousseff nas pesquisas não chega ao Paraná para ajudar Gleisi Hoffmann e ontem ela fez um pronunciamento para evitar que o eleitor se deixe levar pelas pesquisas e cita o bloqueio de Beto Richa a elas com temor de que Osmar Dias se recuperasse e a vitória de Gustavo Fruet jamais detectada e a tal ponto que permanecia na terceira posição na boca de urna.

Só faltou a frase clássica: a grande e verdadeira pesquisa será a do próximo domingo, dia 5, sempre utilizada pelos que aparecem mal nas sondagens.

Mancada
Descuidar-se e mentir pode ser fatal na campanha: Marina votou contra a CPMF e estava com a maioria num bom momento de resistência do conjunto da sociedade brasileira. Todavia afirmou o contrário e isso foi explorado por Dilma Rousseff. Essa estória de transformar a CPMF em necessidade revela de novo a intenção oficial especialmente diante da crise que se anuncia como cada vez bem pior...

Decodificação
A tal papelada da família Requião, explorada pela dissidência com intensa movimentação de dólares aqui e no exterior não foi decodificada adequadamente para que do material divulgado se pudesse inferir desvios e improbidade. Até hoje não se sabe também a decisão administrativa e judicial sobre os dólares do armário de Eduardo, o irmão do porto.
A queda de talento é geral e alcança as armações.

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