Debate funciona?
Normalmente se supervaloriza o debate como este de hoje da RPC TV, de fato a mais importante iniciativa da semana no processo eleitoral. A audiência, por exemplo, é pouco representativa quanto ao horário, mas há um esforço para maximizar o evento nos chamados jornais de campanha e, ainda por cima, com as indicações de quem levou a melhor: eles dirão sempre que foi um dos três.

Normalmente há uma camisa-de-força na regulação excessiva por exigência prévia dos estafes eleitorais, além de perturbadora, pelo número, a presença dos que não emplacam, estes sim jogando tudo nesses minutos preciosos crendo, muito deles, que mais uma vez Davi vencerá Golias.

O que pode alterar o rumo das coisas é a produção de fatos políticos, mais do que os debates, como se viu no da Record com Aécio Neves parecendo melhor apesar do conservadorismo. Aécio aliás, segundo o Datafolha, no Paraná, perde de Dilma e ganha de Marina. Em debate há o caso clássico daquele entre Lula e Collor, vencido por este e além disso favorecido pela edição manipulada da Rede Globo, contrariamente ao havido no primeiro em que o metalúrgico levou a melhor. Das nossas eleições há o caso do ato falho de Vanhoni caindo numa pegadinha de Cassio Taniguchi sobre o Procel que tirou muitos votos do petista na eleição para prefeito.

É pouco significativo o peso de um debate no conjunto da campanha mormente quando o voto, a essa altura, já consolidado e com um contingente de indecisos pouco expressivo para virar o jogo. Como não temos comícios que pelo menos mantenham o debate que sinaliza o que há de mais próximo de um confronto, de uma analogia dos programas.

Sem medalha
Uma tradição, aniversário da polícia civil, com distribuição de medalhas, criada por José Richa, não foi cultuada este ano em função da crise. Em mais de trinta anos é a primeira vez que acontece. O que for suprimido favorecerá o caixa para garantir em novembro as três folhas do mês, 13º e dezembro. Nessa hora até despesa de cafezinho funciona. Nada menos de R$ 4 bi, compromisso considerado, politicamente, "sagrado". Seu não cumprimento seria pior que qualquer bala de prata de Requião.

Crise
A pressão de terceirizados, fornecedores e prestadores de serviço levou ao cerco da prefeitura e à mediação do Ministério Público do Trabalho, mas não há de onde tirar a grana. Já no primeiro ano, agravado com a herança de Luciano Ducci, houve um desequilíbrio de R$ 190 milhões e para este exercício a coisa pode se aproximar dos R$ 300 milhões. De outro lado a planta do IPTU não é atualizada há dez anos e todos os prefeitos temem reações como a havida em São Paulo com intervenção judicial.

Hoje a secretária da Fazenda, Eleanora Fruet, falará sobre o tema na Câmara Municipal e ontem o "premier" MacDonald mantinha contato com os credores enfurecidos na segunda rodada de entendimentos.

Professores
Maurício Requião (que segundo o irmão mais velho foi o melhor secretário de Educação do Brasil como o outro, Eduardo, dominou mundialmente nos portos) apareceu na arenga eleitoral com um documento do magistério pedindo seu retorno. Ora com as prebendas que a APP teve na atual gestão Beto Richa não há comparativo, o que pouco rendeu em eficiência, segundo as avaliações.

Bomba
Efeito eleitoral na Bolsa: se as ações sobem é porque Dilma desce. Nem com a bomba da Petrobras (Paulo Roberto Costa falando de recursos diretos à campanha lulopetista anterior) ela caiu. Blindagem não é coisa para amadores.

Tacada
O pagamento do funcionalismo estadual saiu ontem por causa da greve bancária.

Folclore
Grosseria vira "arte" na campanha: órgão excretor não gera filho, descoberta de um adversário da relação homoafetiva.

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