LUIZ GERALDO MAZZA
Mesquinharia no varejo
Papéis privados da família de Requião, decorrentes de uma herança da esposa Maristela, assunto já explorado à época da ocorrência, pintaram no espaço eleitoral. A reação do senador no twitter foi imediata: um fdp foi colocado como crítica a quem se valeu dos documentos e um outro dirigido a Beto Richa pela operação mesquinha e safada pergunta se é ou não um canalha.
A área do papel sujo está perdendo criatividade e isso é tão visível que se espera outro vexame com a anunciada "bomba" do senador para dia 29, depois de amanhã, esta para paralisar e levar Beto Richa à perplexidade. A ruindade dos candidatos, que leva o eleitor à busca do menos ruim, em versão distorcida da doutrina do mal menor de São Tomás de Aquino, se nivela por baixo, corresponde também a um mau desempenho dos tidos como gênios do marketing.
Quanto à estória dos cavalos mantidos pelo Estado é de perguntar-se: se isso tudo era visível por que o nosso Ministério Público, em sua ação seletiva, não tratou do tema diante da abundância das imagens aristocráticas da Granja do Canguiri com personagens pré-revolução francesa deitando e rolando? De outro lado é criminosa a passividade também da PM em torno do assunto e fica um tanto ridículo membros da corporação cobrarem agora os prejuízos no IPM ora concluído. No mínimo a prevaricação estaria configurada.
Mas na autarquia é assim mesmo: jamais um governador será acionado pelo TJ e pelo MP por força das relações clânicas mais do que institucionais. Consta - e não tenho segurança disso - que o Tribunal de Contas teria pela primeira vez negado aprovação às contas de um governador, no caso Haroldo Leon Perez obrigado a renunciar pelos milicos. Por isso cito sempre as ações do Gaeco, que soam fora de contexto, não apenas ferrando prefeitos, vereadores e empresários de Londrina mas também chegando à distante Lapa aqui na Região Metropolitana e, se esse braço do MP não for contido à exaustão, ainda teremos novidades na província. E no bom sentido republicano.
Moleza
Uma prova da moleza institucional está na apuração dos casos da Assembleia Legislativa: nem referências do processo "gafanhoto", que alcançam 60 parlamentares, agora acrescido com a averiguação fantasmática do gabinete do deputado Beto Richa (além do paradigmático e que cheira mal evento do seu protegido Ezequias Moreira) caminham, e muito menos as mais recentes da série dos documentos secretos com várias prisões e com o presidente e secretários da Comissão Executiva, Nelson Justus e Alexandre Curi, não dando a mínima como se fossem o Lula se recusando a ser ouvido pela Polícia Federal.
Quebrou
Embora o Aécio Neves tenha prometido escancarar portas do Palácio Alvorada ao Paraná (ao repetir a farsa de que somos perseguidos quando simplesmente não se cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal como se dá no momento com gastos de pessoal), agora deu para perceber que a prefeitura da Capital também está quebrada pelo não repasse de recursos a prestadores de serviços como se viu ontem no encontro desses empresários com a cúpula do município no Ministério Público do Trabalho. Nada menos de 3.500 trabalhadores de 30 credores estão com os seus ganhos atrasados, daí a mediação. Serviços podem parar se não houver pagamento dia 29 entre eles o da coleta do lixo, fornecimento de refeições etc. O caos. Um prato cheio para véspera de eleição.
Distância
Afrouxadas as amarras que ligavam o Sindimoc, patronato dos ônibus e Urbs, a eleição de motoristas e cobradores apareceu com quatro chapas. E dessa vez se esses agentes públicos (Urbs e permissionários) tiveram qualquer participação ao menos ela foi suficientemente discreta ao contrário do passado recente.
Folclore
Só falta a engenharia do PSDB divulgar a certidão de nascimento de Maristela Requião para constrangê-la como um grande feito político.





