LUIZ GERALDO MAZZA
Público-privado
O uso de instalações públicas, servidores e alimentos para manter os cavalos pertencentes a Roberto Requião deu origem a um inquérito policial e essa é uma das novidades que podem ter influência no processo eleitoral tanto quanto a anunciada "bala de prata" contra Beto Richa pelo candidato do PMDB. E há intensa especulação em torno da "bomba" prometida para segunda-feira.
O próprio Requião, que se diverte em cima dessas apreciações, revela que já teriam indicado que trataria de uma tragédia automobilística que matou dois jovens em Curitiba e que isso não faz parte do seu estilo. Até porque o seu sobrinho, João Arruda, deputado federal, foi protagonista e condenado num sinistro que matou duas jovens e no qual Requião chegou a ser acusado de ter dado uma carteirada nos policiais que atendiam a ocorrência.
Descartada a analogia por essa razão, Requião condenou a hipótese de valer-se do incidente provocado pelo ex-deputado Ribas Carli (até hoje sem julgamento, dada a habilidade com que seu advogado, Renê Ariel Dotti, tratou da questão, inclusive na instância superior) e tentou manter com isso o clima de suspense para o programa de segunda-feira. Como fervilham os boatos apareceu, de linha oficial ou oficiosa, de que teriam encontrado num armário (ah, os armários, quando menos se cogita eles aparecem às vezes forrados de dólares como se deu com o mano Eduardo, aquele do porto, e parte deles afanado pela doméstica que pressionada na polícia teria confessado e devolvido o que gastara) palaciano documentos comprometedores contra Requião. É contrainformação para transferir o pânico para o outro lado.
É mais fácil adivinhar os lances das novelas globais, inclusive "O Império", do que atinar com a anunciada bomba do senador. Isso apenas ratifica a pobreza da nossa campanha eleitoral.
Cavalos particulares mantidos à alfafa pública é apenas mais uma prova de que não temos república, expressão típica do patrimonialismo e da ausência de fronteiras entre o público e o privado, como se viu aliás no mensalão e em sua versão ampliada o propinotudo da Petrobras. Aquele, convenhamos, perto desse um pecadilho que se redime com o confessionário e algumas orações e quem sabe uma doação de um lote de cavalos para a Polícia Militar. Afinal é apropriado ao estilo cordial paranaense, aquele de abafar tudo, para evitar sofrimento.
Até hoje só um governador foi impinchado e pelo regime militar: o caso paradigmático de Haroldo Leon Perez, maringaense, obrigado a renunciar.
Cargas
A Fetranspar denuncia que só neste ano já houve um prejuízo de R$ 3 milhões com roubos de cargas no Paraná, evidência de nossas fragilidades, detectadas também nas cargas de dinamites (duas por dia) em caixas eletrônicos.
Drogas
A descoberta de uma conexão do tráfico de entorpecentes em franquias do Waldo X-Picanha mostrou a obviedade de práticas criminosas na vida noturna. Prisão do Didi, maior traficante do Paraná, num estabelecimento noturno no Batel e de sua propriedade e grande frequência é a prova óbvia de tudo isso.
Bronca
Mobilização de trabalhadores terceirizados na remoção de vegetais na cidade bloqueou ontem a sede da prefeitura. Fundamento: atraso de salários. Até parece o Clube Atlético Paranaense.
Folclore
Na nossa alegre disputa com Santa Catarina, um fato inédito no futebol: eles com três na série A e o Paraná com apenas dois. Aqui há o risco pelos jogos de anteontem de termos em 2015 três times na série B e com eles emplacando mais dois pelo menos na A, com exceção do Criciúma alinhado ao coxa no purgatório.





