A bala de prata
O senador Requião anuncia para segunda-feira (29), no programa eleitoral, a bala de prata que vai matar o lobisomem, Beto Richa. Pela forma, levemente terrorista do anunciado, a essa altura só quem tem ideia do que vai acontecer é justamente o alvo, algo portanto de tom personalíssimo.

Em primeiro lugar a indagação: por que não amanhã, uma sexta-feira, afinal com tanta aura adequada para acertar o animal das trevas? Simples: início de semana, cabeça fresca, para operações de caráter sadomasoquista, fica bem melhor e, ainda por cima, há um ato de "fair play" em dar ao atacado prazo útil para sua defesa.

É que a convicção na contundência da revelação é de tal porte que tiraria, pelo menos na intenção do denunciante, a possibilidade de uma defesa razoável e suficiente para evitar a sua destruição moral e física. Portanto também não haveria qualquer sinal de piedade ou de elegância de Requião, pouco dado a esses gestos por sua natureza predatória.

Das denúncias de Requião até hoje nenhuma se firmou, desde aquela sua participação na CPI dos Precatórios como relator, o tempo todo fazendo ameaças e passando pelas que armou contra José Richa e José Carlos Martinez (o maior estelionato da história política, o do "Ferreirinha") e especialmente os vexames do "baixa ou acaba" do pedágio ou ainda da guerra fundamentalista e burríssima contra os transgênicos que gerou bilhões de prejuízos.

Até segunda-feira uma atmosfera hitchcokiana marcará a competição eleitoral com as pesquisas ainda indicando possível vitória de Beto Richa no primeiro turno, o que mudaria drasticamente após a data fatal, pelo menos na intenção do velho e conhecido aprontador. Se for como as anteriores, também cercadas de tantas expectativas, em lugar de uma bomba teremos traque baiano ou espanta-coió.

Escândalo
São tantos e tão frequentes os escândalos no país que a capacidade de indignação do brasileiro comum está minada. Apesar de os governistas fazerem de tudo para "melar" as investigações da Petrobras percebe-se claramente que tais fatos não chegam ao eleitor. E isso é tão verdadeiro que Dilma Rousseff, com sua ofensiva contra o marinismo, está recuperando posições em todas as pesquisas e de uma forma significativa.

É evidente que o "vazamento" de informes sobre envolvidos bota em risco, ao menos teoricamente, os que têm mandato e são candidatos. O curioso no Brasil é que o sigilo é esnobado, posto que seja exigência de lei, o que transforma os segredos em artes de Polichinelo.

Melhora
Redução de 14% nos homicídios culposos talvez seja decorrente das campanhas genéricas e também da aplicação do conceito preterintencional, delitos que têm dolo no antecedente (ao assumir essa possibilidade como o motorista que dirige alcoolizado e em alta velocidade) e culpa no consequente.

Fora
Apesar de citados necessariamente como membros da comissão executiva da Assembleia Legislativa nos feitos das fantasmices até agora nada pintou formalmente contra Nelson Justus, presidente, e Alexandre Curi, secretário, nos eventos que já renderam a prisão de altos funcionários, o dos "diários secretos". Outro que tem driblado o cerco é Abib Miguel, o Bibinho, apesar de condenado. Essa "correição" ou inspeção, conforme versão local, promovida pelo Conselho Nacional do Ministério Público no momento poderia se dedicar ao exame de tais questões. Como é possível que um Diretor Geral se sobrepusesse aos membros da Comissão Executiva ainda mais que assinavam atos impugnados?

No mínimo os atos eram de imprudência, imperícia e negligência, elementos subjetivos da culpa.

Folclore
Atestado de óbito clássico na saga médica: "tosse e que tosse!".

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