Estranha sincronia

O fato de Aécio Neves estar praticamente empatado com Dilma e Marina no Ibope presidencial feito no Paraná dá margem a inúmeras interpretações, uma das quais consolidaria a ação de Beto Richa como líder regional apostando forte no candidato do seu partido. Dilma e Marina com 29 e Aécio com 28 mostram quadro diverso do observado, de modo geral, no país.

Essa "horizontalização" surpreende pelo fato de não ser a regra e também o desempenho de Aécio é incomum, levando-se em conta que mesmo em Minas Gerais se dá mal nas sondagens, a despeito de ali ter obtido seus maiores feitos.

Uma pesquisa do Instituto Multicultural, divulgada pela Folha de Londrina e Rádio Paiquerê AM, em que Beto Richa ganha com 59% no eleitorado londrinense (Requião com 14% e Gleisi com 6%) indicou a vitória de Aécio Neves com 36%, seguido de Marina, 24%, e Dilma, com 17%, se ajustam ao levantamento regional do Ibope. Na verdade a campanha institucionalmente casada pode trazer tal efeito que sugeriria um PSDB muito cotado em alinhamento com a do seu líder principal, Beto Richa.

A persistir esse quadro, quando a polarização entre Dilma e Marina acaba se consolidando e abrindo caminho a todo o tipo de oportunismo, teremos exemplo dos mais expressivos em termos de identidade entre partido e candidatos, o que, embora não sendo uma regra, acaba pondo em destaque o Paraná.

Sincronia comum
Outra sincronia comum é a nossa perda de expressão ante Santa Catarina e o Rio Grande do Sul em matéria social: todos os levantamentos convergem e agora mais um, do Instituto João Pinheiro de Minas Gerais, sobre deficit habitacional, confirma nossa liderança em moradias precárias. O Paraná teve crescimento de 39% entre 2011 e 2012, acima da média nacional, que foi de 34% no período. Enquanto isso se dava por aqui, revelando agravamento da questão social, nos nossos irmãos do sul havia queda: de 36% em Santa Catarina e 32% no Rio Grande do Sul. É um repeteco que abrange expectativa de vida e escolaridade e quase sempre visível nos estudos do Índice de Desenvolvimento Humano, IDH, e nos números da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar do IBGE.

Há, portanto, descompasso entre o econômico e o social, já que em renda estamos à frente dos dois. Insisto na tese de que essa aferição constante das unidades componentes do Brasil meridional deve ser sistemática e ser colocada como superior aos supostos confrontos com médias nacionais.

Cavaletes
Na próxima eleição, graças a Deus, estaremos livres dos cavaletes, mais uma chateação que perturba o saneamento do ambiente eleitoral, livre do outdoor e dos showmícios. Um dos principais fatores de melhora está nos institucionais do Tribunal Superior Eleitoral.

Uma das maiores preocupações tem sido com a afixação dos cavaletes; mais de mil foram retirados, o que não significou fim da poluição e tivemos ainda, para complicar, um assassinato na praça da Ucrânia em torno do tema.

Negado
Vários pedidos para liberar peças da Operação Lava Jato, ainda inconclusa, foram negados ontem pelo juiz Sérgio Moro. Visível a intenção política de melar as investigações para neutralizar efeitos eleitorais.

Gafanhoto
Agora, como desdobramento da Operação Gafanhoto, examinam o gabinete do então deputado Beto Richa à procura de fantasmas, além, é claro, do caso Ezequias. Mas por que até agora só o ex-deputado Moysés Leônidas teve a condenação financeira divulgada, enquanto os outros 60, muitos ainda candidatos e deitando pregação moralista, ficam de fora?

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