O lulopetismo tenta o quarto mandato consecutivo e o grau de pânico que toma conta dos comissários com a possibilidade de uma derrota eleitoral chega a ser estarrecedor

Essencialmente aética
Cada vez fica mais nítido, no andamento da atual campanha eleitoral, que é um delírio esperar o exercício da ética na política. Da mesma forma que se usou a arma fascista da intimidação, o marketing do medo, contra Lula, o que ficou bem explícito na afirmação do presidente da Fiesp, Mario Amato, de que caso se desse o pior, a sua eleição, mais de quinhentos empresários (será que os temos tantos?) do Brasil fugiriam para o exterior. Depois na prática vimos um Lula bem ao gosto do patronato brasileiro, inclusive firmando boas relações com os grandes grupos em ações de caráter internacional, relação aliás que não é nova. A novidade está no enraizamento até de transnacionais nesse tipo de consórcio.
Agora o lulopetismo usou à exaustão o terrorismo psicológico para deter a ascensão de Marina Silva e conseguiu até um certo ponto o seu intento, posto que havia sinais de carga excessiva e de reversão e também nos exercícios de legítima defesa da candidata acusada entre outras coisas de acabar com alguns dos programas de transferência de renda, o que a levou a um exercício oratorial sobre a experiência pessoal da fome com a sua família e que pelo seu conteúdo emocional fez a catarse de muitos.
Numa das eleições de Requião aqui no Paraná ele teria admitido como metáfora a acordos até com o demônio para ganhar uma eleição. Como sempre usou a técnica do "misturador de vozes" para negar a expressão, recorrendo a um especialista em identificação vocal. Não há nada de mal num certo tom de malícia ao atribuir defeitos ao adversário como aquele caso do político paulista que afirmou ter o brigadeiro Eduardo Gomes chamado de marmiteiros a turma do PTB. Bastou isso para que criassem distintivos com a forma de uma marmita da mesma forma que um colega meu de faculdade botou um daqueles alfinetes coloridos, vermelhíssimo, como sendo o sangue do martírio de Vargas em seu suicídio.

Poder eterno
Só em doutrina e teoria é que se aceita a transitoriedade do poder. O PSDB foi um exemplo disso com a tese da reeleição de Fernando Henrique na qual se fez um trabalho de compactação bem parecido com o atual para desconstruir a ex-militante petista Marina Silva. A reeleição não fazia parte da nossa tradição constitucional, embora prática adotada na democracia modelo norteamericana.
O lulopetismo tenta o quarto mandato consecutivo e o grau de pânico que toma conta dos comissários com a possibilidade de uma derrota eleitoral (esquecem da paciência de Jó de Lula que tentou três vezes a presidência até consegui-la como havia se dado na França com o socialista François Mitterrand) chega a ser estarrecedor: não há espaço para a reflexão, mesmo considerando que o poder é partilhado especialmente com o mais fisiológico de todos, que é o PMDB, uma das causas de evasão de quadros para o PSTU e o PSOl que buscam refundar o PT, aquele antigo, o da bandeira ética.

Aeticismo de militância
A revelação do propinoduto da Petrobras - o vínculo governo empresas privadas - é uma das evidências de que não temos república pelo menos como a imaginaram os clássicos como Benjamin Constant sem as amarras do patrimonialismo que tanto a nega e a degrada. Esse contubérnio entre o público e o privado, marca dessas relações difusas, é a coluna vertebral do sistema, garantia de sua sustentação como obra de engenharia.
A prática da corrupção sistêmica subverte os códigos da moral, mas ela é tão dominante que qualquer resistência a esse pragmatismo é olhada, obviamente, como ingenuidade. Há alguns sinais, até no Judiciário, de condenação desse processo assegurado, é claro, pela impunidade. Mas é preciso considerar que na medida em que temos informação dos atos lesivos cria-se uma consciência que é indispensável um basta no processo. Ética é código comportamental desejável, um discurso de boa intenção, jamais uma prática e cada vez que mais se a invoca maiores riscos correremos, da mesma forma como os políticos se referem à transparência para defender o opaco, a caixa preta.

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