LUIZ GERALDO MAZZA
Outro Ibope
Há o Ibope, mas existem outros instrumentos de avaliação da realidade, alguns até oficiais como o da Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar do IBGE, que já foi alvo de guerrilha oficial por temor de que revelasse que o nível de emprego tinha caído, mostrou que a queda da desigualdade, um dos maiores feitos do lulopetismo, estagnou em 2013. Teria em consequência dos sinais recessivos havido até uma leve concentração de renda. Dados nada animadores como 0,6% do crescimento do emprego, queda de 3,5% do emprego industrial, queda de analfabetos de 8,7% para 8,3% e ainda o baixíssimo tempo médio de estudo da população em 7,7 anos contra 7,5 anos em 2012.
Não há muito desalento, convenhamos, mas para quem se achava em escalada do mais puro triunfalismo e ainda por cima ocorrer num ano eleitoral a dimensão da perda, por insignificante que seja, aumenta. Porque campanha eleitoral é assim mesmo: o menor indicador de queda é submetido a uma lupa e aquece todo o discurso emocional.
Como se vê em campanha eleitoral há outro tipo de Ibope (por sinal que está à venda para um grupo europeu, a mundialização não respeita mais os autóctones) para impacientar analistas e políticos ainda mais quando conservam a dimensão necessária de independência, ainda que sendo oficiais. Louve-se até uma certa contenção na ânsia da ocupação de espaços e instrumentação: no IPEA aconteceu mas houve resistência e o caráter estamental do IBGE impediu que isso lá ocorresse como o demonstrou a greve da corporação.
A perspectiva de fraco desempenho da economia, o Pibinho e outros fatores mostram aí as suas garras e adquirem alguma amplitude pelo fator eleitoral.
Habituada a combater as más previsões a presidente Dilma contesta qualquer resíduo de pessimismo, como é de hábito, e a oposição deita e rola em cima do assunto superdimensionando-o.
Microuniverso
A pesquisa do Instituto Multicultural, Folha e Paiquerê sobre Londrina, embora os limites do universo analisado, é um definidor de tendências importante por mostrar que aí há uma simetria entre a liderança de Beto Richa (que ganha no primeiro turno com 59% dos votos válidos, Requião 14%, Gleisi 6%) e o desempenho de Aécio Neves, que perde até em Minas, seu reduto-chave, mas lidera a disputa no segundo polo urbano paranaense com 36% seguido de Marina Silva com 24% e Dilma com 17%.
Há peculiaridades nessa visão autárquica como a de 1955 que mostrou o líder integralista Plínio Salgado saindo em primeiro lugar para presidente da República em Curitiba e Ponta Grossa, dois dos maiores centros universitários do Paraná. Embora tanto uma cidade como outra tivessem uma representativa legião de "galinhas verdes" (eles se diziam "águias brancas") o sucesso se deveu ao caráter idealístico do discurso, um diferencial na campanha.
Sem limite
Associações de magistrados não se tocam com o repúdio da opinião pública ao auxílio-moradia e das dúvidas do CNJ sobre o tema e pedem mais vantagens o que não oculta o reajuste salarial, agora pretendido em R$ 4,3 mil. Surpreende a hesitação do Conselho, apesar de ter emitido sinais de resistência.
Outro dia Beto Richa, recusando-se a ceder R$ 180 milhões à Defensoria Pública, perguntou se éramos uma Suíça. Será que na Suíça existe o benefício do auxílio-moradia para magistrados?
Folclore
O camaronês Joel, que era do Londrina, já negociado ao futebol europeu, com seus dois gols contra o São Paulo, tirou o coxa branca do buraco do rebaixamento mas acabou caindo nele ao saltar a placa de propaganda.





