LUIZ GERALDO MAZZA
O cenário da hora
O Paraná já foi ponto importante na história brasileira como em 1894 com o bloqueio da marcha maragato na Lapa em meio à guerra civil federalista, a maior de todas as manifestações do gênero, e agora é o ponto-chave da fraude e da corrupção petroleira com os personagens Youssef e Paulo Roberto Costa, o primeiro pinta manjada da "dança do cisne" na CC5 Banestado e agora autor de novas e criativas lavagens de dinheiro e o segundo o engenheiro de uma operação com tentáculos no exterior.
É evidente que não é por nosso governo e nossos políticos que ganhamos espaço, até porque expressam muito pouco, mas pela sintonia fina da corrupção presente num escândalo que transforma o mensalão em troco, anedota de salão como havia profetizado um petista certo da impunidade naqueles dias. No derradeiro aceno vital do Banestado (e ainda há viúvas que desejam a sua volta) tivemos a maior derrama de fraude financeira que deixou muita gente importante na lista dos bloqueados em seu patrimônio. Aliás há escombros ainda não analisados desses tempos como a tal vinculação Olvepar-Copel na qual Youssef também operou e que envolvia setores-chave do governo Lerner e o Tribunal de Contas.
A condenação a quatro anos e quatro meses para o doleiro é decorrência de sua quebra de compromisso na delação premiada, evidenciada na reincidência genérica e específica dos delitos nos fatos mais recentes e o transforma, como se deu com André Vargas, juntamente com Paulo Roberto da Costa, no cadáver insepulto do momento. O isolamento do parlamentar maldito, hoje sem partido e muito próximo da perda do mandato, é um caso marcante de ascensão e queda na hierarquia do petismo: como um contaminado por doença incurável é um risco dele aproximar-se tal qual se viu na trajetória do deputado paranaense e é certo que as acusações não se limitam ao desfrute do avião cedido para férias da família no nordeste, pecadilho menor que não eclipsa o macro-delito e, sobretudo, as ligações perigosas de que trata o romance de Choderlos de Laclos.
Fora do ar
Por mais 48 horas o blog de Requião ficará fora do ar. Decisão da Justiça Eleitoral. Como se vê o argumento de que usa sua aposentadoria para cobrir indenizações pode encontrar aí uma justificativa. Algumas das sentenças o PMDB teria pago ou garantido. Todo quadro político tem ônus e bônus, a cada momento um se sobrepondo ao outro.
Barragem
Com a tese da orquestração e de possível leniência da parte de guardas de presídio, forma oblíqua de dizer que colaboram com as rebeliões, o governo tenta uma barragem contra a greve da categoria. Na verdade se fosse possível exigir bom senso das pessoas (o que é, convenhamos, subjetivo demais) não haveria espaço para um movimento paredista depois de tantos motins. A polícia não é lá um exemplo de ciência em serviços de inteligência como mostram os casos da menina retalhada na Rodoferroviária, Rachel Genofre, com mais de cinco anos sem solução, e o da mocinha Tainá de Colombo que transformou a autoridade em Loucademia de Polícia com acusação direta de tortura para confessar o crime por parte dos empregados do parque, o que bloqueia o andamento do inquérito e tumultua o processo.
Passeio
Quando tanto se fala em recuperar o Passeio Público da Capital aumentam as denúncias da falta de segurança no local. Não é fácil recuperar áreas decadentes em centros médios e grandes: a Riachuelo foi trajeto de bonde e de ônibus, área de trotoir malicioso e baixa prostituição. Atribuir-lhe nova decoração não a altera em substância.
Folclore
Duro é quando você constata que até em matéria de corrupção os políticos eram mais sedutores e talentosos no passado do que os de agora.





