O voto e o vômito
Já se disse, por mais de uma vez, que Engov não cura náusea existencial, daquelas legitimamente sartreanas. Mas de olho na campanha eleitoral e na administração do Engov assistimos uma das mais sórdidas ações de marketing para destruir a composição humana - seringueira, miscigenada, sofrida - da candidata Marina que nas identificações brasileiras mais profundas vai além do que foi o retirante e líder obreiro Lula.

E como o furor brecou a ascensão de Marina, aposta-se no aumento das dosagens como forma de detê-la a qualquer custo: não há espaço para reflexão ética já que o mergulho na lama, ainda que com um pouco de petróleo, é, antes de tudo, ajuste de meio ambiente. O primarismo das alegações chega a ser antológico: agora Lula diz que Marina vai terceirizar a presidência, logo ele que não via nada o que ocorria com a Casa Civil entregue ao companheiro Zé Dirceu no chuncho do mensalão. E a presidente não deixa por menos e faz caricatura com a docilidade frágil da concorrente, chamando-a de "coitadinha".

Ninguém cultua mais o "coitadismo", hábito bem brasileiro, do que o governo federal e faz disso a sua doutrina social expressa nos programas de transferência de renda e, sobretudo, nas afirmações de uma mobilidade social fantasiosa derrubada pelas pesquisas e indicadores macroeconômicos na sagração da classe média.

Poderíamos votar mais e vomitar menos, mas do jeito que está não dá. Ainda acabamos vendo transformada a urna cívica num vomitório.

Insípida
O que se pode dizer da gestão Gustavo Fruet é que ela é insípida. Não se capta uma energia, um comando e até os processos mais ousados (até por que não houve debate a respeito) como o do metrô ficam na dependência de uma prorrogação por mais quinze dias para que o secretário de Planejamento responda as indagações do Tribunal de Contas. Essa lentidão nas decisões, mesmo as mais importantes, marca um estilo que teria dado, anteontem, origem a uma sessão de autocrítica em que o prefeito fez ameaças pouco sutis de cartão amarelo e vermelho a secretários menos diligentes. Se esperar que isso decorra de um gesto livre da parte deles pode deixar tudo para 2015.

Miscelânea
Tira o preso de Cascavel manda pra Curitiba, tira o de Foz e transfere para Londrina, normalmente distancia o sentenciado dos seus parentes e mantém o sistema superlotado. Quem realimenta a crise é o governo que tenta tirar partido eleitoral até de suas mais marcantes deficiências. Rebelião como a de ontem em Piraquara virou rotina e atribuí-la a forças estranhas faz lembrar a renúncia de Jânio Quadros, a tentativa de golpe que não deu certo.

Sempre ele
Requião resolveu, bem ao seu estilo, responder as perguntas da Gazeta do Povo e o fez via internet. Assim não vale: pode ter "cola" como estudante sacana. Lembra o esquema teatral ensaiado da CPMI da Petrobras, aliás boa parte aliada.

Gaeco eco eco
Bastou um candidato dizer que o Gaeco só quer aparecer e ele apareceu fazendo eco e como nunca: ações ambientais em treze cidades paranaenses deram margem a afastamento de dois servidores do IAP, Instituto Ambiental do Paraná, e mais cinco da Força Verde.

Folclore
Tirando as licenças para viagens, Beto Richa sempre se manteve em campanha e agora anuncia, redundante, que vai se licenciar para entrar de sola na luta. Lembra em tudo o Conselheiro Acácio, o vigilante do óbvio de Eça de Queiroz.

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