LUIZ GERALDO MAZZA
Auto-orquestração
Quem governa para a emergência só colhe crises. É o que se dá com o tal modelo penitenciário do Paraná. Como tivemos uma sequência de rebeliões, a última em Piraquara, o governador vê aí algo orquestrado, primeiro estágio da paranoia persecutória, como se a causa geratriz de tudo não fosse a tática de apagar o fogo e esperar outra rebelião com a chantagem dos presidiários na migração deles de um ponto para outro do Estado como negociação imposta.
Reina a anomia do setor em que pese o discurso, a boa doutrina, da secretária de Justiça onde é visível o excesso de liberdade dos presidiários em comício permanente e a falta de autoridade da pasta intimada a negociar transferência dos rebelados. Esse gerenciamento de crise obviamente está longe de ser a solução do problema que, aliás, é muito parecido com o que se fazia nas cadeias dos distritos policiais. Percebe-se que ora cede para policiais que se recusam à guarda permanente de sentenciados, ora para os presos em ação e ora para os agentes penitenciários que afinal se constituem na primeira presa da rebelião.
É o gerenciamento a partir de clientelas amotinadas ou fazendo ameaças. Agora há confiança na reunião dos diretores de presídios para que dela surja uma pauta capaz de deter a onda e restabelecer um mínimo de racionalidade operacional e que nos livre da chantagem endêmica por transferências.
Não há orquestração, como sugeriu o governador: é que ela nasce das anomalias do sistema, aquele de apagar o fogo, fazer o rescaldo e aguardar a próxima das rebeliões, que não se sabe se terá baixas como a de Cascavel, dado o nível de organização do crime no interior do cárcere sob a forma de uma luta com todo o jeito de guerrilha, uma guerra, enfim, de movimentos, que apenas tem um só efeito: o de esgarçar o já precário tecido da autoridade.
De novo
O Hospital Evangélico da Capital está sob greve outra vez por falta de pagamento de salários dos seus servidores. Pela sequência das ocorrências, que volta e meia provoca falta de atendimento, está na hora de a sociedade filantrópica prestar um esclarecimento em profundidade, revelar carências e reivindicar apoio. O Hospital, como tantos outros do país, está numa verdadeira UTI e pelo jeito sem esperança.
Queda de braço
O Tribunal de Contas determinou a exoneração da mulher do prefeito de Nova Olímpia, uma das causas da queda de braço recente entre aquele órgão e as associações de municípios e que quase deu origem a uma lei reduzindo o poder de sanção da Corte de contas. Vê-se por aí a dimensão que um problema menor ganha quando articulado politicamente.
Mistério
São tantos os movimentos contra o pedágio e que recrudescem nas eleições que não se sabe com que intenções e em nome de quem um grupo de 50 manifestantes tomou a praça de São Luis do Purunã e cobrou tarifas e depois liberou as catracas para o passe livre. A Polícia Rodoviária Federal demorou para agir, mas essa é sua função até porque isso se dá em estrada federal concedida, a BR-277.
Pitbul
Em Morretes amarraram um pitbul num vagão do trem e isso provocou irritação e o protesto de várias pessoas e entidades. Aliás na campanha eleitoral Alvaro Dias expôs o seu Hugo Henrique, um alvíssimo "bichon frisé". Um observador tascou: antes o doce Hugo Henrique do que aquele outro Hugo Chaves da Venezuela seguido, ardorosamente, pelo senador Roberto Requião.





