LUIZ GERALDO MAZZA
E os debates?
Com a desproporção da partilha de horários no rádio e tevê argumenta-se que o ideal isonômico está nos debates com enfrentamento pessoal seja nos meios de comunicação ou na intimidade das corporações. Nesta hipótese o postulante está se dirigindo a um público específico e suas demandas. Ocorre que a regulação desses confrontos elaborada em comum acordo de assessorias fixa uma camisa-de-força no embate que acaba lhe ofuscando o possível brilho.
Aposta-se hoje, na produção de jornais partidários, mais no efeito das pesquisas do que no dos debates, afinal elas são menos subjetivas, embora a exploração de confrontos tenha a sua importância relativa ao apontar o possível vencedor, obviamente o interessado.
Com a predominância do palanque eletrônico, especialmente depois do fim dos showmícios, que significou também praticamente a derrocada dessa forma de comunicação, quem tratar mais a forma do que o conteúdo do programa, leva a melhor: a produção mais profissional, sem falar na disponibilidade de horário, dos programas do PSDB regionalmente explica, em grande parte, o melhor desempenho nas pesquisas. Já o maior espaço a Gleisi do que a Requião não a beneficia porque na fase atual das pesquisas não surge como opção alternativa e viável, o que se repete nacionalmente com Aécio Neves, depois especialmente da arrancada de Marina Silva que polarizou a disputa.
Nem sempre o minimalismo é pernicioso, dá para lembrar do "eu me chamo Enéas" com efeito contundente nas massas. Mas aí é preciso algo mais forte do que um candidato, evidenciando-se uma persona. A persona comum e dominante nas eleições paranaenses é o senador Roberto Requião que está aí por culpa de Beto Richa que como líder de tropa preferiu Ricardo Barros a Gustavo Fruet e poderia tê-lo afastado da política estadual. Há tanto tempo no palco e usando os mesmos saques e bravatas, o senador encara uma espécie de entropia na sua forma de agir que consagra um estilo e que pela persistência o desgasta em termos de credibilidade.
Sempre se lhe atribuiu, no campo da verbalização, uma condição especial não confirmada no último debate: perde-se no confronto, mas tem força quando domina o microfone em solilóquio, como fazia nos lances circenses da batida "escolinha". Ele trouxe energia para a campanha sem conseguir mantê-la e com isso sustentar o que até hoje não houve: a polarização desejada.
Estranheza
Não há como explicar da parte tanto do Ministério Público quanto dos juízes o não encadeamento das punições da Operação Gafanhoto que alcança 61 deputados e ex-deputados como se o andamento da campanha eleitoral o impedisse. É que a sentença do caso do ex-deputado Moysés Leônidas, que não concorre, apareceu devidamente publicada, enquanto a dos demais persiste em mistério como se uma espécie de constrangimento e de respeito a regras de cortesia beneficiasse os que infringiram normas e foram punidos e tudo isso, seletivamente, fica fora de cogitação.
Muita gente de destaque, que posa de Catão, estava entre os arrolados.
Rola-rola
Se houver novo acordo entre agentes penitenciários e o governo a solução do problema estará sendo empurrada com a barriga, rumo à moratória e dentro em breve teremos nova crise e outra migração de presos.
Folclore
Walace de Mello e Silva, pai de Requião, foi prefeito da cidade e candidato ao posto por duas vezes, na primeira das quais em 1954, disputou com Ney Braga e ficou em segundo lugar. Ney ganhou porque o prefeito interino Ernani Santiago de Oliveira fez o asfalto gratuito até Santa Felicidade. Estilo um tanto parecido com o do filho, Walace, certa vez, chamou os vereadores de Curitiba, seus ex-colegas, de "papagaios de bico de ouro".





