LUIZ GERALDO MAZZA
Operação abafa
Duas coisas serão inevitáveis agora no curso da campanha: uma operação abafa do governo para levar a fatura no primeiro turno, escorada no Datafolha mais recente, e a deflagração de denúncias pesadíssimas contra os que aparecem na liderança através de Requião ou de parceiros indiretos. As coisas já estão afunilando e em péssimas condições para o oposicionista que perdeu dez pontos, cinco agregados a Beto e cinco de prejuízo. A não ida a "Gazeta" para a entrevista foi calculada, uma vez que se deslocou para o interior e concedeu um papo ao seu amigo da "escolinha", Mino Carta, da legião de cucas da suposta esquerda, da revista "Carta Capital". Ora como jogada para exibir-se como de esquerda essa marcou ponto, já que deu a preferência a um veículo com jeitinho de alternativo em relação a um formal e identificado como adverso a tudo que fala e prega e onde comandou, com seu irmão Maurício à frente, a lavação das calçadas do jornal, ritual de purificação e remissão de pecados.
A temperatura tende a subir e é possível uma baixaria de porte, possível depois que não pouparam nem a mãe de Beto Richa numa contestação aos ganhos de aposentadoria. É claro que o limite da cortesia foi aí rompido e de forma grosseira, abrindo-se espaço para estocadas mais violentas e rasteiras.
Há um fato que atrapalha essa linha de intenções: a vigilância agudíssima do TRE, que tem em seu histórico negativo a série de erros processuais cometidos na cassação unânime de Requião em sua primeira eleição e no maior estelionato da política paranaense, o do falso pistoleiro Ferreirinha e que abateu José Carlos Martinez em segundo turno.
Incompetência
A facilidade com que presidiários fazem rebeliões e impõem ao governo o ritual das migrações de um presídio para outro é intolerável e inaceitável como rotina e isso nega o suposto e badalado "modelo" paranaense. Ensanduichados nessas crises, os agentes penitenciários querem ser ouvidos e apesar de um encontro marcado com a secretária de Justiça não afastam a hipótese de greve na próxima semana.
A rebelião de anteontem em Cruzeiro do Oeste, depois das violentas havidas em Piraquara, Cascavel, Guarapuava e Foz do Iguaçu, algumas delas com sequestro de profissionais e mortes de presos lhes fornecem a dureza de argumento como o dos policiais no aprisionamento em distritos.
Qual o custo desse simulacro teatral de uma prisão para outra?
Recuperação
A sensível recuperação de Dilma Rousseff nas pesquisas não foi suficiente ainda para devolver-lhe a liderança: o equilíbrio das posições dá empate técnico tanto no primeiro como no segundo turno. E pelo jeito a blindagem para protegê-la dos efeitos dos chunchos na Petrobras está funcionando e em curso está um processo de demolição de Paulo Roberto Costa com desmentidos formais dos acusados. Levá-lo à CPMI seria um desses abafas que a justiça rejeita.
Alabama
Ponta Grossa passou a ser chamada de Alabama depois que dirigentes da Associação Comercial e Industrial defenderam a tese de que beneficiários do Bolsa Família ficassem impedidos de votar. Ku-Klux-Klan já está incubada.
De novo
Hospital Evangélico de novo em destaque, agora por causa dos consultórios, vetados pela Anvisa, que funcionavam em garagens. Para regularizar o caso alugaram uma casa nas imediações.
Folclore
Numa rodinha na Boca Maldita havia o lamento de que o Luis Claudio Romanelli tinha um irmão gêmeo univitelino e que por isso ambos tinham nascido com um só rim. Requião, atento à conversa, não perdeu a deixa: "mas em cérebro o outro ficou com dois terços". Se faz isso com um amigo fiel, imagine-se com o adversário. Beto Richa que se cuide.





