LUIZ GERALDO MAZZA
Vale tudo
A campanha presidencial ganha um tom de vale tudo com o esforço continuado de desconstrução de Marina Silva, cuja ascensão foi detida, dando a impressão que a metralhadora giratória de Dilma Rousseff e de Aécio Neves numa escala menor a atingiram em pleno voo. Não se sabe se a sustentação até do terrorismo, agora tentando vinculá-la ao sistema financeiro, na dosagem atual, poderá ser mantido sem risco de reversão, já que o outro lado também conta com marqueteiro.
É a mesma tática das eleições anteriores, que consagraram Lula e Dilma, fazer exatamente o contrário do que dizem e atribuir ao adversário seja o pecado da privatização ou agora o de vincular-se ao sistema financeiro. Na verdade não se viu um só ato do lulopetismo contra órgãos privatizados porque sabem que isso pegaria mal interna e externamente, o que não impediu que insistissem na denúncia e que covardemente o PSDB, principalmente, não respondeu na hora das provocações. Também os atos de privatização de portos e aeroportos ganharam eufemismos para livrá-los da condenação: parcerias público-privadas.
Como o estilo de mandona se ajustou à presidente parece que a ofensiva lhe rende vantagens inegáveis ao passo que a doçura de Marina, a sua fragilidade quase espiritual, não se adequa à beligerância e aos atos de força. Disputa eleitoral virou um teatro no estilo pirandeliano do "assim é se vos parece".
Aqui a cena é menos rebuscada e trabalhada e tudo indica que os polarizadores dominarão a cena, enquanto não se percebe uma reação de Gleisi Hoffmann apesar do seu melhor desempenho nas entrevistas a jornais. Com o embalo de Dilma, que marca o momento atual, pode ser que revigore a candidata do PT, até agora repetindo a posição bisonha de Aécio Neves em nível nacional.
Claro que aqui não há tanto acirramento quanto na disputa nacional, mesmo quando o instituto (Datafolha, Ibope, seja lá qual for) fala em empate técnico, o viés pró Beto Richa é visível. Primeiros sinais de baixaria já detectados asseguram que o segundo turno será mais pesado e essa possibilidade anima os aliados do governo a tentar tudo para ganhar já e a qualquer preço.
Apesar das pesquisas não serem animadoras há clima para um esforço final em termos de motivação.
Convocação
A CPMI da Petrobras quer ouvir, o quanto antes, Paulo Roberto Costa, que criou até agora o maior constrangimento sobre um mensalão mais sofisticado em operações com lavagem de dinheiro no exterior. É a tentativa de estancar a hemorragia que dificilmente será acolhida por estar o inquérito no início de nova etapa de averiguações. O PT aprendeu com o mensalão anterior que não pode deixar o fato fluir para esperar fazê-lo no final do processo com os embargos infringentes e apenas fazer baixar a temperatura da febre quando o único remédio é quebrar o termômetro.





