LUIZ GERALDO MAZZA
Cada oscilação no desempenho das pesquisas é um frisson. Só não é para os que vão ficando no meio do caminho como Aécio Neves, distante da polarização, e ainda, em nível estadual, o mesmo se dando com Gleisi Hoffmann
Oscilações traumáticas
Está muito mal informado quem acredita que a fatura eleitoral está garantida, isso tanto no plano nacional como no regional. As últimas pesquisas nacionais mostraram uma queda no fervor pró Marina e consequentemente uma discreta, mas nítida, recuperação em três pontos de Dilma. No regional tivemos um Ibope diferente daquele que dava Beto Richa no primeiro turno e ficamos sem o DataFolha que não programou sondagens, posto que ficasse distante dos números do concorrente ao apontar para um empate técnico.
Cada oscilação no desempenho das pesquisas é um frisson. Só não é para os que vão ficando no meio do caminho como Aécio Neves, distante da polarização, e ainda, em nível estadual, o mesmo se dando com Gleisi Hoffmann. Para essas situações o momento não é nada agradável porque a polarização vai dando, já no primeiro turno, caráter plebiscitário à competição. Isso não pode, no entanto, levá-los à inércia. Claro que uma declaração como a de Aécio Neves de que continua na disputa soa como derrotismo, já que ela apenas enfatiza a noção de que está distante dos dois primeiros e não há sinais de que se beneficie quando carrega as baterias contra Marina e isole Dilma, antes alvo preferido.
No caso paranaense ficamos agora, depois da tabulação do Ibope, na dependência de um Datafolha para ver se o empate se mantinha, embora com viés, pequena vantagem, para Beto Richa, ou teria sofrido alteração máxima.
A redução do fervor em Marina pode ser uma guinada para a racionalidade numa trajetória bastante centrada na cultura emocional advinda com a morte do candidato titular e sua substituição por alguém meio etéreo. A recuperação de Dilma, de outro lado, pode animar os que defendem a artilharia pesada, aí incluída, a estratégia fascista do "medo".
Verbalização
A suposta hegemonia da verbalização de Requião foi colocada em xeque no último debate: tanto para perguntar como para responder ele se perdia no timing, no relógio, e mal completava a frase. Beto Richa, ao contrário, dá a impressão de alguém que fala diante de um "teleprompter" com razoável memorização, todavia acentuando um traço artificial, de agente produzido.
Não poucos observadores acham que Gleisi desenvolve o raciocínio até melhor do que os concorrentes, mas possui um defeito em comum com a presidente Dilma, numa linguagem abusivamente tecnoburocrática.
Na verdade Beto e Gleisi têm as vantagens e os riscos da maior exposição ante o espaço reduzido conferido a Requião. Houve um ganho ponderável do candidato do PMDB com o isolamento dos dissidentes, fragorosamente derrotados pela facção hoje majoritária e de certa forma um tanto quanto encabulados em dar continuidade à guerra de panfletos sobre cavalos pagos pelo erário e dólares do irmão Eduardo e das aventuras portuárias, como a Operação Dallas. Esse era o tom mais forte de Beto Richa contra Requião.
Quem quebrou
A situação financeira do Paraná continua delicada: o secretário Luis Eduardo Sebastiani, da Fazenda, está com a missão de Hércules e seus doze trabalhos para botar em ordem os pagamentos ante conjunturas nada favoráveis como em julho-agosto, quando a queda do nível de atividade econômica fez cair a arrecadação que tende a recuperar-se nos próximos meses.
Obviamente isso não começou agora e teve início antes mesmo do governo Requião, ainda que os dois vivam trocando denúncias e levem o público à curiosidade de saber qual dos dois foi mais predador, o que seria ótimo, por variados motivos, para Gleisi.
Na verdade todos ajudam na quebra (é surpreendente, por exemplo, o presidente da Copel acumular o posto de secretário da Fazenda no governo Lerner; José Richa estabelecer dotações fortes e fixas para Judiciário, Assembleia, Tribunal de Contas, além de ter adotado o 13º para o funcionalismo e a paridade entre aposentados e o pessoal da ativa). Avanços sociais também pesam.





