b]Tática terrorista
O uso do medo, tanto aquele empregado contra Lula como o de agora voltado para atingir Marina, ainda mais de forma sistemática e massiva, é método terrorista. Tira a máscara de quem ataca, no caso a presidente Dilma, perdendo as estribeiras diante das apurações das pesquisas e que indicam, nos maiores centros, a liderança da postulante da Rede ora transfigurada em socialista.

Contra Lula, durante algum tempo, o método foi eficaz na profecia de Mario Amato, da Fiesp, de que mais de 300 empresários fugiriam do país. Com o tempo Lula se tornou palatável e era até bajulado pelos milionários. Pior para o governo é que o horizonte econômico se dissipou, revelando sinais de recessão técnica e dá impressão de que opera em areia movediça e o pequeno sinal de avanço na produção industrial é pouco animador, pode até embalar o discurso de recuperação do ministro Mantega, mas não convence.

Os sismógrafos oficiais explicam a intensidade do nervosismo, rumo à neurose, diante da imagem que vai se consolidando em favor da candidata do PSB. Não haveria outra forma de identificar ausência de bases de apoio da candidata do que forçar um paralelo contra o messianismo de Jânio Quadros e a sua versão pop em Collor, dois episódios em que a governabilidade foi zerada? Ocorre que o público anda saturado justamente com as razões desse pragmatismo que afinal garantem a sobrevivência necessária do PMDB como partido-nave capitânea, hoje com o lulopetismo, antes com o PSDB. E causa também da remoação de todas as bandeiras históricas do PT, inclusive a do rigor ético que se dissolveu já na conquista de prefeituras e governos estaduais e alcançaria o auge no Palácio do Alvorada, de cujo testamento o mensalão não é certamente o pior e o mais desmoralizante dos feitos.

Uma lembrança
O mais importante feito de oposição no Paraná, dentre os mais recentes, foi a vitória de Gustavo Fruet ao desmantelar, a um só tempo, a hegemonia de Beto Richa e o neo populismo de Ratinho Júnior na eleição da Capital. É verdade que se torna difícil saber se o PT mais atrapalhou do que ajudou, dada a resistência histórica à sigla aqui persistente. Ficou patente, no entanto, que o prefeito de Curitiba seria a mais importante liderança da Grande Curitiba do projeto de Gleisi Hoffmann e isso não está acontecendo como se não fosse um compromisso natural decorrente daquela vitória.

É que o fato é recente demais para não ser lembrado. O não protagonismo de Fruet também mina os seus potenciais de candidato à reeleição, isso sem contar a discreta resposta em feitos administrativos.

Crise
As demissões em massa da RBS, maior rede de comunicação social do Brasil meridional, voltadas para a mídia impressa e agora uma ocorrência menor na RPC em idêntico setor prenunciam ajustes organizacionais mais do que uma crise. Como há o background da recessão técnica tudo tem a ver com a conjuntura.

No Rio Grande do Sul foram dispensados 130 trabalhadores. Como o mercado de trabalho está contido cresce a dimensão do episódio.

Vexame
Deficiências de governo tendem a aparecer mais no período eleitoral por causa das pregações dos feitos em rádio e tevê: assim as deficiências da segurança, saúde e educação ficam mais manifestas. Inaceitável a circunstância de estarmos em terceiro no ranking nacional de assalto a bancos e com registro de dois ataques por dia a caixas eletrônicos.

Folclore
A satanização de Marina Silva, o que é um contraponto aberto à imagem que o público guarda dela, alguém que adeja e anda sobre as águas, tende a fazê-la vítima do maior cerco da história, superior ao ocorrido contra Lula. Há um descuido por parte dos formuladores dessa campanha: o apego ao vitimalismo da maior parte do eleitoral quanto maior a carga.

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