Hora da baixaria

Ainda não tivemos sinais muito fortes de baixaria na campanha eleitoral, mas a essa altura os comitês já devem estar tratando do tema enquanto é tempo. Os mais agudos partem de ex-requianistas (alguns até participantes dos três períodos administrativos em cargos de confiança e exercendo papéis relevantes em invasões de terras e operações fraudulentas que chegaram ao ponto de registrar em cartório relações de um político e um jovem de programa) com referências aos gastos com cavalos em rações pagas pelo erário. Derrotados em sua pretensão de ocuparem a sede do PMDB não desistem do proselitismo ora falando dos cavalos ora do irmão, Eduardo, na administração portuária e no andamento da história dos dólares.
Os dissidentes candidatos evitam entrar nessa, ainda que o ex-governador Orlando Pessuti tenha participado da distribuição de volantes na Boca Maldita no meio do agito. Candidatos tomam cautelas para assumir posição beligerante como o próprio Serraglio que foi derrubado da presidência do diretório e fazem a campanha pró Beto em extrema discrição para não serem flagrados em aberta infração às normas eleitorais.
Esse foco de resistência perdeu força com a substituição do diretório já ratificada em juízo e tem dificuldade em encontrar uma forma de agir que não seja a repetição dos volantes e atitudes públicas. É visível a estafa e a fadiga do material, mesmo os mais contundentes como o das assinaturas de contratos do pedágio que negam suposta guerra aos consórcios.

Baixaria sem monopólio

O PMDB, na primeira eleição de Requião, antes do estelionato Ferreirinha, já havia aprontado contra José Richa para alijá-lo do segundo turno a estória da aposentadoria. Não há monopólio em baixaria: ela pode seduzir os discretos e circunspectos conforme o andamento das pesquisas que também correm o risco de constituir uma deformação como a do suposto "instituto" Aurora que garantia a vitória de Maurício Fruet na façanha dos doze dias que consagraram Jaime Lerner.
Quando José Richa venceu Saul Raiz um setor do partido oficial produziu uma "pesquisa", seguindo métodos apropriados e fazendo a escala município por município que, aparentando coerência, indicava a derrota do MDB. Como MDB, PMDB e PSDB são da mesma origem, o que um sabe do outro não é desprezível e às vezes vai muito mais longe do que os dissidentes de agora andam a divulgar.
Se o caso "Ferreirinha", que se iniciou com a cassação de Requião por unanimidade no TRE, não tivesse embutido tantos erros (por exemplo a não citação de Mário Pereira vice governador na condição de "litisconsorte necessário") teríamos a oportunidade de detonar a fraude, punir e de forma pedagógica o beneficiário e preservar a justiça, o que não ocorreu.

Pesquisas

Pesquisa atribuída ao DataVox, registrada no TRE, 00026-2014, indicou, ao contrário do que se viu no Ibope, a necessidade de segundo turno: Beto 40.7, Requião 27.1 e Gleisi 15.1. No debate Band houve a impressão de que Requião sentira a sondagem que dera a reeleição do governador no primeiro turno e mostrava-se inseguro, sem noção de tempo nas suas intervenções.
Curioso em saber todas as peças da pesquisa Ibope, Requião obteve no TRE acesso a essa documentação e a partir desse exame é que decidirá o caminho a adotar e uma das vias poderia ser a de Beto Richa na eleição passada com a interdição das sondagens.
A "baixaria" pode pintar até com características formais: na primeira eleição de Requião o tiro fatal contra José Richa foi a denúncia da aposentadoria e feita massivamente tirou o principal cotado do segundo turno. Já a teatralização do "Ferreirinha" para atingir mortalmente José Carlos Martinez foi uma armação na qual alguns dos dissidentes de hoje tiveram participação como o ex-deputado José Domingos Scarpelini que trouxe entre os atores convocados o famoso "Baiano da Foice" que seria nomeado, apesar de octogenário, para a Casa Civil pelo deputado Caíto Quintana.
A vigilência hoje é maior, mas o talento para a patologia é inesgotável.

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