LUIZ GERALDO MAZZA
Ação livre na causa
Nos estudos de Direito Criminal há a figura da "actio libera in causa", ação livre na causa, configurada por exemplo no homicida que se droga previamente para usar o bloqueio dos sentidos como dirimente, isso é alegar que não tinha consciência do que fazia. Apesar da acrobacia é exatamente o que estão pretendendo os sindicalistas da Universidade Federal que impediram o ingresso dos conselheiros na Reitoria e agora pretendem arguir nulidades no fato de alguns votos terem sido obtidos por telefone ou teleconferência em processo no Judiciário, contestando a aprovação do convênio com a Ebserh.
A selvageria do impedimento, posta sempre como "de esquerda", lembra em tudo o faccio dos fascistas na junção das armas agressivas em feixe. Esse raciocínio é de quem se acha absolvido pelo que faz na suposição de que se trata de uma causa final. O fato é que os manifestantes tinham consciência de que levada a votos a batalha estaria perdida e com enorme diferença, tal qual aconteceu. Impedir a votação era a única alternativa e pelo conflito criar o clima de martírio e de "revolução" que aflora no imaginário sindical, quem sabe com prisões, feridos, ardência do gás de pimenta, correrias, enfim o cenário para o posterior vitimalismo e acumular energia da repressão buscada conscientemente para nutrir o "currículo" guerrilheiro.
Como já haviam impedido antes a votação, acreditaram que a intimidação em cima dos votantes, com mais força e determinação, os levaria à capitulação e pareciam ignorar que situações semelhantes precederam outros convênios e que foram reconhecidos na justiça ante alegações como as que vão renovar. De tudo dá para lembrar a metáfora do homicida que se droga para alegar que não tinha consciência do ato praticado e acaba, embotado, batendo sorvete na testa.
O debate
Quem gosta de telecatch vibrou com o debate da Band: a troca de agressões entre os candidatos tornou impossível saber de possíveis propostas. Houve, no entanto, algo que nesses programas amarrados é inviável: confronto direto. O formato com todos os postulantes, por mais extensa que seja a duração, leva à frustração.
As bombas
Bem menos público na passeata dos professores, comemorativa das bombas de efeito moral da PM de Alvaro Dias que está com mais votos do que nunca. Em ocasiões anteriores a ação dos mestres liquidou a campanha do senador aí incluída a de governador. Com o tempo não há celebração que resista como a intentona comunista de 1935 que perdeu vigor para a "redentora" de 1964 centrada nos mesmos motivos: fadiga do material. Essa dos professores foi gerada por uma tentativa de invasão do Palácio Iguaçu repelida dissuasoriamente mas explorada à exaustão. Com tudo isso Alvaro está aí com 60% das intenções de votos, posto que tenha feito de tudo para atribuir a PM a culpa quando ela agiu dentro dos códigos operacionais. Quem descomprimiu o agito foi a dupla de deputados Aníbal Khury e Antonio Anibelli que abriram, a pedido (dramático e operístico) de Rafael Greca, instalações da Assembleia para asilar manifestantes.
Pesquisas
Já a 4 de setembro teremos pesquisas eleitorais que se seguirão, Ibope e Datafolha, nos dias 14 e 18. Quem sabe diferenças se reduzam. Por sinal que o PMDB está com a documentação da amostragem recente do Ibope. Pode acabar dando uma de Beto Richa e proibindo pesquisas.
Folclore
São Paulo vai criar uma lei que proíbe mascarados em manifestações e embora justificada nas ações dos Black Bloc e certamente abrirá exceção para os dias de Carnaval. No Estado Novo de Getúlio Vargas houve um momento em que se tratou do assunto e os ironistas imaginavam uma ocupação do Palácio do Catete por arlequins, pierrôs e colombinas.
Ações
Algumas ações singelas administrativas podem ter efeitos eleitorais como a formação, ontem, de 62 novos delegados na Escola de Polícia.





