O voto coxa

O Ibope já havia espantado o público de um modo geral com a tal pesquisa que dá Beto Richa no primeiro turno em contraste aberto com a do Datafolha que assinalava empate técnico, ainda que com um viés favorável ao governador. Após a divulgação veio o chio de Requião, no estilo de sempre: "peixe se compra na peixaria, pão na padaria e pesquisa no Ibope". E ainda se referiu ao contrato entre a Celepar, empresa estatal, e o Ibope, para acentuar a suspeição em torno da sondagem.

Pois agora o Ibope veio mexer com um vespeiro psicossocial ao afirmar que o Atlético Paranaense é a décima quinta torcida do Brasil e na relação até 18, o que contrasta com frequência de público nos jogos e nos rankings, o coxa nem aparece, abaixo da fossa. Isso aí é mais impactante do que a pesquisa eleitoral por seus efeitos emocionais. Cresce, portanto, a desconfiança no instituto e nem o fato de os polarizadores da campanha serem atleticanos neutraliza o ocorrido.

Para o Coritiba, caminhando pra segunda divisão com método e persistência, já não há fatores positivos, enquanto seu rival ganha um estádio moderno e que caminha para ajustar o teto retrátil. Dá para imaginar o tamanho da bronca dos coxas com o Ibope. Se até a presidente Dilma Rousseff foi vaiada e ofendida de forma grosseira dá para imaginar o que os coxas reservam para o Ibope. Essa pesquisa é feita em conjunto com o jornal Lance, de densa confiabilidade.

MP reticente
Se a sentença contra o ex-deputado Moysés Leônidas saiu na imprensa no caso da operação gafanhoto por que nada mais se sabe sobre os procedimentos que alcançam até ex-presidentes da Assembleia? Se a matéria chegou ao juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, feita a denúncia pelo Ministério Público, para aquele julgamento não se entende o "privilégio" da notícia e nada se adiante sobre os demais deputados e ex-deputados envolvidos, inclusive alguns pregoeiros da moral e que fazem disso uma postura na campanha eleitoral.

Intolerância
A Universidade Federal do Paraná com razão pleiteou cautelar na justiça para garantir a reunião do Conselho Universitário que apreciará a adesão ou não ao convênio com a empresa de assistência hospitalar da União. Há o risco de se repetirem as cenas que inviabilizaram assembleias anteriores. O sindicalismo no meio universitário não deveria ter a faceta primária do obreirismo numa área que trata de ciência e pesquisa e jamais valer-se da ação direta para impor seus pontos de vista, negando-se ao debate racional. Parece que o foco é manter o caldo de cultura da crise endêmica do Hospital de Clínicas para o proselitismo político e ideológico.

O dia a dia
Crise na saúde com hospitais públicos desequipados, rebelião na Penitenciária de Cascavel provavelmente com 12 mortes (o dobro da última sob Requião), dois ataques diários a caixas eletrônicos - como se vê é extensa a lista de eventos em cima das eleições. No Capão de Imbuia na Capital um comerciante, assaltado inúmeras vezes, colocou uma faixa alertando os "sócios" indesejáveis que agora tem sistema de segurança, já que o do governo não é confiável. Isso também, como os demais fatos, tem respostas eleitorais a não ser que o povo esteja dopado e por fora de tudo.

Folclore
Anos passados tivemos mensagem em classificados de jornais anunciando nada mais do que um cabo eleitoral e que colocava à disposição de interessados um "lote" de milhares de votos e isso com absoluta garantia e fidelidade. Aliás em classificados tivemos "códigos" para homicídio com linguagem metafórica: a estória de uma cadela que abandonara seus cachorrinhos e que redundou em morte de uma mulher pelo marido. Tivemos, também, informes em código de viagens e mordomias de altos funcionários.

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