Gafanhoto vem aí
Quando menos se esperava, já que os processos são de 2003, o caso Gafanhoto, que sofreu vários percalços porque alguns indiciados eram deputados federais, como se deu com Hidekazu Takayama e o Barbosa Neto, que alterava a instância por causa do foro privilegiado, eis que aparecem as primeiras decisões na 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital como se deu com o ex-deputado londrinense Moysés Leônidas, que teve seus bens bloqueados em R$ 432,9 mil, dentro de uma ação que tenta obrigá-lo a devolver recursos ao erário. Quanto ao crime por improbidade administrativa foi beneficiado pela prescrição, o que deve se estender aos demais.

Esse episódio precede o evento mais recente dos "Diários Secretos", mas muito assemelhado no "modus operandi", que pegou vários servidores da hierarquia funcional da Assembleia, muitos dos quais presos, à exceção de Abib Miguel, o Bibinho, ex-diretor geral da Casa. No desdobramento processual aparecem inclusive, citados nas denúncias, os deputados Nelson Justus e Alexandre Curi na condição de dirigentes da Comissão Executiva.

Entre os lances há um de ajuda a uma doméstica do senador Requião também como servidora fantasma e que acabou envolvendo os deputados Nereu Moura e Luis Claudio Romanelli. É que a empregada recebeu devolução do Imposto de Renda e o senador, sem inteirar-se do que havia acontecido, atacou da tribuna da Câmara Alta o Ministério Público e a Receita Federal o que rendeu procedimento que acabou enquadrando os deputados estaduais.

Dissidência
Verga, mas não quebra - deve ser a palavra de ordem da dissidência do PMDB, mesmo depois de derrotada judicialmente com a entrega da sede do partido aos novos dirigentes. Tanto que ela repetiu os rituais na Boca Maldita, no sábado, de manifestação pró Beto Richa e distribuição de material contra Requião e isso assim persistirá até que a justiça se decida a fixar os limites da resistência em decisório sobre esse conflito interno.

Do jeito que está a postura é de exército brancaleone em marcha batida para o ridículo. Surpreende o fato de um ex-governador, Orlando Pessuti, estar firme entre os combatentes.

Terror
Alguns "modismos" do terror como o da decapitação do jornalista americano se reproduziram na rebelião penitenciária de Cascavel contra dois presos e mais dois lançados de lugar elevado. Ela não tem superlotação, que é normalmente a questão dominante, mas há queixas contra a comida e transtornos nas visitas de familiares e conflitos com guardas de presídio.

Mais de 30 horas de tumulto, negociações, marcaram o mais violento dos choques presidiários da história recente do Paraná.

Boicote
Numa assembleia com centenas de participantes os estudantes de Direito da Federal decidiram, semana passada, manter o boicote ao Enad, mesmo com os riscos que isso representa para a manutenção do curso que esteve ameaçada no caso de jornalismo e pode repetir-se com o deles. Uma grita contra o que chamam de "meritocracia neoliberal" mostra a estreiteza de raciocínio dominante, algo como se o mérito fosse um palavrão e não uma divisa de honra em instituições acadêmicas e científicas como essa que consagrou agora o Brasil mundialmente na matemática.

Folclore
A volta à cena da Operação Gafanhoto põe em destaque de novo a marchinha de carnaval que retratou um ataque dos acrídeos à lavoura brasileira, Ei-la: "gafanhoto deu na minha roça// comeu, comeu toda minha plantação// Chô, gafanhoto, chô chô// deixa um pé de agrião pro meu pulmão// gafanhoto isso não se faz// deixa a minha roça em paz// minha verdura, gafanhoto comeu// a rapadura gafanhoto comeu// não há mais nada// nem quiabo que diabo// nem há couve, o que é que houve? gafanhoto comeu!//.

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