Espectro à vista
Com a inflação ainda elevada e o baixo crescimento da taxa de emprego em julho (71,5% inferior à do ano passado) o governo apelou para a desoneração de vários produtos e botou mais R$ 20 bi no crédito para manter o consumo, o que encontra resistência na elevada taxa de inadimplência das famílias. Como se vê o arsenal é limitado, mas indispensável, já que esse espectro da crise, mais do que a alavancagem de Marina Silva ou de Aécio Neves, é que efetivamente ameaça a liderança, ainda sustentada, de Dilma-Lula.
De janeiro a julho, o país teve crescimento de 1,56% (632.224 vagas) e no Paraná a elevação foi de 2,44% (66.188 vagas). Vale lembrar novamente que, além do consumo e da manutenção relativa do emprego, o fator que tem salvo o governo é o demográfico, graças a sustentação de níveis quase civilizados de taxas de natalidade. O quadro é tenso, crítico e qualquer ruptura de fatores artificiais joga o país na recessão para valer e aí as promessas de novos tempos perderão o sentido.

Revisão
Câmara criminal do Tribunal de Justiça considerou ilegal a gravação que levou o Gaeco a flagrar o empresário ganhador da licitação do Anexo do TC, Edenilso Rossi, dando R$ 200 mil ao coordenador da concorrência. Como é que o ato soberano do juiz que autorizou a receptação telefônica poderia ser nulo?
Todo fundamento da ação de um magistrado, de primeiro ou segundo grau, deve lastrear-se no "livre convencimento". Como a segunda instância viu falha nessa decisão, embora a força imagética e documental da entrega da grana, ao Gaeco só resta, para a defesa de suas prerrogativas, analisar os fundamentos alegados para ir ao STJ em recurso.
Se o fizer certamente mexerá com o clima de concórdia da praça nas relações intrapoderes que tornam impossível qualquer sanção que não seja de origem externa como polícia e justiça federais, Tribunal de Contas da União, STF e Conselho Nacional de Justiça. Aqui em Curitiba, ao contrário de Londrina, em que cassaram prefeitos, o Derosso pintou por quinze anos presidindo a Câmara e só foi apanhado na história dos gastos com propaganda entre ele e a esposa, aliás beneficiária da operação. Como os mesmos 15 anos demoraram uma ação do MP estadual contra os radares da Urbs que dormia nas gavetas do TJ submetido, obviamente, a romarias de políticos durante todo o tempo até ser resolvida há alguns anos.

Sem metrô?
Depois do vexame do flagrante pelo Gaeco, o Tribunal de Contas deu algumas mostras de autonomia institucional como no choque com Assembleia e prefeitos ao referir-se aos chunchos municipais e estaduais como a quebra de respeito com gastos de pessoal e deficiência nas inversões em saúde. Agora cancelou a licitação do metrô, que vinha sendo contestada na área técnica por urbanistas e órgãos como o Crea e o Conselho de Arquitetura e Urbanismo e um parecer de Ivan Bonilha fulminou o fato de estar sendo providenciada uma pesquisa de origem e destino dos fluxos dos usuários na Região Metropolitana, que pode aliás confirmar a absoluta dispensa do aparato. Pode-se insinuar que Bonilha foi nomeado por Beto Richa e com isso estaria retaliando quem o abateu nas urnas, Gustavo Fruet. Bonilha, quando assessor de Nestor Baptista no TC, havia dito que os agentes da Urbs (aliás os mesmos da Diretran) não poderiam deter o poder de polícia por não disporem de fé publica e terem sido nomeados sem concurso e à base de precária credenciação. Imaginem se tal princípio fosse vitorioso o carnaval judicial que haveria com as multas.

Folclore
Se um empresário, concessionário de serviço público, for apanhado dando dinheiro a um hierarca do poder concedente, se não provar que está sendo chantageado, a única providência a fazer é declarar-lhe a inidoneidade.

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