LUIZ GERALDO MAZZA
Palanque em crise
Segundo pesquisa recente o início da propaganda eleitoral na tevê em São Paulo provocou uma queda de 28% da audiência migrando para canais a cabo. Em que pese o esforço de institucionais da Justiça Eleitoral estimulando o interesse do público na campanha, no que é secundado por jornais, percebe-se aí um dos sinais da estafa geral do público, o que obriga os marqueteiros a buscarem estratégias neutralizadoras e formas de atuação mais criativas.
O impacto sobre a audiência, até pela larga exposição, tende a crescer nas próximas semanas, mas as amostragens dos dias 12, como referência, e 19 impressionam: à tarde salta de 3.7 a audiência para 8.9 e na noturna de 9 para 16.4, crescimento de 82%.
Há quem veja nesses indicadores um argumento a mais pelo voto facultativo, a evidência de um cansaço da política e de sua deturpação sistemática, mas é um instrumental válido e de sentido democrático, posto que haja desigualdade de espaços em função da representação parlamentar. Um dos artifícios empregados pelas legendas nanicas é o de acoplar à manifestação do rádio e tevê para ampliá-la na internet com os efeitos multiplicadores da interação. Aliás não poucos estão se descuidando do diálogo com os internautas, que enriqueceria o processo de persuasão com alguma forma de debate e de contraditório.
O palanque eletrônico substitui o de madeira dos comícios, mas, corre o risco claro, diante das exigências do público, de estar obsoleto.
Pingue pongue
Como se esperava o tema do bloqueio aos empréstimos por parte da União é uma das ferramentas da campanha do PSDB, uma forma oblíqua de colocá-la como causa da crise fiscal e não consequência dos gastos abusivos fora de qualquer controle. A lei deveria permitir que órgãos estamentais, com direito de resposta, no caso a Secretaria do Tesouro, mostrassem a infringência dos dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal tantas quantas vezes o tema fosse provocado. Quem quebrou mais o Paraná: foi Requião ou Beto Richa?
O Paraná não obtém empréstimos porque infringe a LRF ao gastar de mais com pessoal e de menos com saúde. Isso até o nosso Tribunal de Contas, sempre muito cordato, denunciou recentemente quando da queda de braços com o Legislativo Estadual e a prefeitada.
Nulidades
A montagem do quórum na Comissão de Ética da Câmara Federal no caso de André Vargas, feita às pressas, pode ensejar nulidades quando recursos forem enviados à CCJ. Para chegar aos onze pelo menos dois suplentes apareceram, um deles o Rubens Bueno. Há ainda uma alegada e genérica restrição de defesa.
Imagem
O PSB é ligado no Paraná umbilicalmente ao PSDB desde Lerner, mas não terá o desfrute dos dois palanques pela resistência de Marina Silva em casos como o daqui e o de São Paulo. A força da militância eficiente, mas reduzida, não compensa a imagem predominante da candidata e essa seria decisiva para Richa.
Refém
A força da APP é de tal ordem que não apenas obtém praticamente tudo o que reivindica em suas demandas como conquistou a assinatura de todos os candidatos ao governo em apoio a suas teses no dia da sabatina. O professorado nunca é reprovado, nunca fica para segunda época, embora o nosso desempenho no ensino não esteja bem colocado em ranking nacional.
Folclore
No retorno do exílio, Brizola faz um discurso emocional em Bagé e a certa altura condenando o regime militar afirmou: eles nos cortaram a cabeça, nos cortaram o pescoço. Um bebum interveio para lembrar que pescoço não brota. A Brizola não faltou a saída se não a de lembrar que é indispensável a sabedoria de um amável pau d'água em qualquer comício brasileiro.





