Lavagem de esquerda?
As ações do doleiro Alberto Youssef cada vez mais célebres por seus incríveis desdobramentos mostram que o instrumental da corrupção é ideologicamente neutro e, por isso mesmo, indispensável nas artes da lavagem de dinheiro à direita ou à esquerda, enfim em qualquer tonalidade do espectro. Aquilo que houve no caso CC5-Banestado, a dança do cisne do banco oficial, se repete agora com o mesmo artista a reproduzir operações como as feitas no Paraguai, do qual importa justamente reais brasileiros. O banco estadual tinha uma celebrada instituição paraguaia na condição de subsidiária bem como havia havia outra em Nova York e com extensão às Ilhas Cayman.

Numa época, tal qual a de agora em que se exige enquadramento doutrinário, assenta-se a neutralidade viva da corrupção e da fraude. Isso faz lembrar os gestos de supostos revolucionários de José Dirceu e Genoíno ao entrarem na prisão como mártires da causa, tal qual agiu também o herético André Vargas, que teve ontem aprovada por unanimidade a cassação no Conselho de Ética da Câmara Federal, diante do presidente do STF. Não há corrupção de direita ou de esquerda. Ela é, no mais puro sentido ontológico, de uma neutralidade essencial, diferentemente do ato revolucionário de um ataque a bancos para obter fundos à guerrilha. Todavia não me surpreenderei que na revisão histórica, tal qual se dá com os idos do regime militar, os que surrupiaram o erário apareçam como heróis, jamais como caricatos bandidos mal sucedidos, apanhados com a mão no jarro.

Imitação
Até as flores imitam a justiça: demoram, ficam fora do tempo, como se dá agora com os ipês amarelos que brotam, tímidos, de árvores hibernadas, bem depois do predomínio das variedades roxas. Uma diferença, sim, da justiça: a flora, ao contrário da fauna, tarda mas não falha.

Destaque
O Paraná ganha destaque nacional em fatos negativos: em primeiro por ser daqui o doleiro Youssef e também por termos agora um parlamentar nosso, André Vargas, condenado, à unanimidade, pelo Conselho de Ética da Câmara. Esses onze votos parecem indicação segura de que não escapará da cassação no plenário por mais bem urdida que seja a sua defesa.

A mediocridade da nossa atuação político-administrativa é apenas rompida por esses feitos que não enobrecem.

Repressão
Pegaram ontem em Curitiba 18 pessoas que foram presas por pularem a catraca da estação tubo da Alferes Poli. Quando a reportagem foi ao local viu nada menos de mais quatro usuários praticarem o mesmo exercício. Não dá pra aguentar o discurso da resistência civil que muitos deles, mais intelectualizados, fazem. O pecado é menos mortal mas parecido com os mensaleiros posando de guerrilheiros. Nossa sociedade está cada vez mais embotada com a apologia da liberdade sem limites e a postura que adota de aceitar o liberticídio torna-a mais ridícula.

Resistência
Estudantes de Direito da Federal, em bom número, saíram em defesa dos lentes engajados que fazem pregação ideológica em sala de aula, uma das anomalias elencadas na comissão do MEC que examina os fatores que determinaram a queda de qualidade do curso. A nota foi "um", que equivale a zero, mas os alunos, como se não fossem parte do contexto com o boicote "revolucionário" ao Enad, buscam absolver-se da culpa defendendo os mestres confessionais.

Folclore
Afinal quem ocupa o domicílio do PMDB: os eleitos ou os que o ocuparam na marra? O caso não é judicial, mas administrativo e quem dita a regra é o Diretório Nacional como aconteceu na dobradinha Requião-Hermas Brandão, do PSDB, com o veto a esse último, ironicamente na chapa tucana.

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