LUIZ GERALDO MAZZA
Empate na rejeição
Os mais rejeitados candidatos ao governo são também os mais credenciados, conforme a pesquisa Datafolha: Richa tem 39, Requião 33, empate técnico em vista da margem de erro de três pontos. Outro empate em rejeição: Requião 27, Beto Richa 23. Distante dos dois, Gleisi aparece com 11 nas intenções de votos e com 17 em rejeição.
Claro que dentro em pouco afloram outras pesquisas no pedaço, mas se não forem de institutos consagrados e se distanciarem dos indicadores revelados serão olhadas com alguma incredulidade. Uma recentemente interditada pelo TRE estava muito distante das indicações do Datafolha.
Mas pesquisas importantes até para induzir financiadores (com esse empate chove contribuições nos dois quintais) não são o fator dominante de uma campanha eleitoral: o cerco da sede do PMDB pelo grupo majoritário (os 40 de um núcleo de 70) com a assembleia de destituição realizada na rua, já que as portas estavam fechadas e o líder não deu o grito de "abre-te, Sésamo", ainda que tivesse prometido arrombá-la bem ao seu estilo é um fato político que cresce com a pesquisa.
A direção regional do PMDB tenta adotar uma fleugma inglesa diante do barulho da maioria, mas confia na sua permanência, pois a competência da destituição, no seu entender, é do diretório nacional, que firmou o princípio da não intervenção ao liberar os que discordaram da indicação de Dilma a presidente.
Esse bate-boca só tem um beneficiário, o senador, embora não reste ao grupo dissidente alternativa que não seja a resistência, que na sequência passará a deteriorar Beto Richa igualmente pelo absurdo da situação criada e que joga Requião num campo que ele adora, o do vitimalismo que nutre a imagem forte do justiceiro. A rejeição mostra que os candidatos se merecem, mas nós não os merecemos, ou, na melhor das hipóteses, oferecemos-lhes boa dose de restrição.
Bolivarianada
Encerrada a votação da destituição do diretório por 42 votos veio a solução bolivariana: não chamaram o Chaves, mas o chaveiro que arrombou a sede e a entregou aos majoritários. Bem no clima do candidato como ele gosta e boa parte dos seus seguidores também aprecia.
Mediação
Caiu bastante o conceito de Direito da Federal e uma equipe do MEC investiga as causas para ver se decorre de deficiência material, pedagógica, ausência de aulas e de professores ou de boicote dos alunos no Enad. De um a cinco o conceito foi um, o que desmoraliza a tradição e coloca o curso sob ameaça de não fazer o vestibular como quase se deu com a área de jornalismo.
PT reage
O PT festejou o empate técnico da pesquisa, mas ficou alarmado com a baixa pontuação de Gleisi Hoffmann com apenas 11 pontos e pretende maximizar a concentração nos programas eleitorais e debates para dar uma arrancada. De qualquer forma com segundo turno, ainda mais se o mesmo se der no pleito presidencial, a aliança vem para Curitiba para apoiar Requião como Lula fez nas vezes anteriores. Todo esforço para uma reversão será desenvolvido até porque Gleisi é disparadamente a de menor rejeição com 17 pontos.
Folclore
Com essa inspeção da Direito da Federal pelo MEC muita gente lembrou de episódio que colocou mal nossas autoridades dos três poderes e mormente jurídico em anos passados: um vigarista, com sentença transitada em julgado, foi recebido com todas as glórias pelo Judiciário, Ministério Público e governo e ainda por cima deu a aula inaugural da Faculdade de Direito da Federal. Dias depois foi preso e as pessoas que o recepcionaram não gostam de lembrar do vexame.





