Terceira força
Com a morte de Eduardo Campos o quadro político nacional se altera e uma das alternativas ontem colocada, no fluxo das previsões, seria erigir Marina Silva, da condição de vice, como a terceira opção, hipótese que sempre foi cogitada até pelo fato de o socialista não deslanchar. Marina fez quase 20 milhões de votos em 2010 e criou espaço próprio, um tanto quanto confessional e puritano em cima de causas ambientalistas por um prisma fundamentalista.

A origem política de Campos o colocava ao lado do lulopetismo, embora nem tanto relativamente à Dilma Rousseff, mas essa ligação anterior pode até ser restabelecida pelos timoneiros. A supressão da terceira força levaria o pleito a um sentido plebiscitário e capaz de decidir tudo em primeiro turno.

A queda de Dilma poderia ser contida na hipótese de haver mudança no quadro pré-recessivo da economia: ela estava com 59.5 em fevereiro e caiu para 49.3 em julho, enquanto Aécio subia de 21.6 para 27.4 e Campos caía de 12.2 para 11. Não há sinais de melhora na economia, embora pequena baixa da inflação e a manutenção, um tanto quanto inexplicável, da manutenção do emprego.

Se Marina for a candidata, introduz-se na campanha fator até aqui inexistente no potencial de messianismo que a envolve: enquanto Aécio e Dilma tudo fazem para atrair o voto pentecostal, ou ao menos não contrariá-lo, ela tem condições de dominar essa tonalidade eleitoral.

O quadro regional não é alterado: o PSB é um dos dezessete da aliança pró Beto Richa como é da tradição que vem desde Lerner.

Na Bahia
Em 1982 o candidato a governador da Bahia, Cleriston Andrade, faleceu em acidente de helicóptero e Antonio Carlos Magalhães, o chefe do feudo, indicou o substituto, João Durval, que venceu o pleito.

Desmanche
Mais um desmanche estourado, agora na Vila Osternak. Quando Jesus Sarrão era secretário de Segurança se tentou regular essa atividade. Lembro, inclusive, que a expressão técnica usada era "desmancho". Obviamente o caráter marginal da atividade sempre se manteve, daí de vez por outra um fechamento ou então situações como aquela que levaram o Gaeco a prender vários delegados e tiras que mordiam "empresários" do ramo.

Zero
Como é sacral, embora às vezes mais sacal, a livre expansão das manifestações levou à Câmara de Curitiba a turma da tarifa zero no transporte coletivo, eufemismo ao celebrado passe livre, delírio de nosso tempo. Não há almoço de graça, posto que o Rafael Greca tenha chegado perto disso quando lançou os restaurantes populares de um real e quase derrubou um Nobel da economia.

Se a comida não for uma desgraça, e não era como sabeis, por R$ 1 é de graça.

Rir por último
Ninguém sabe quem irá rir por último nessa judicialização das eleições com idas ao tapetão: anteontem quem tirava sarro de Requião era a turma do PSDB com o estado de sítio aos portais da campanha; ontem os tucanos lamentavam a ordem do TRE de busca e apreensão no comitê central de Beto Richa de material contra Gleisi Hoffmann. Antes outro constrangimento ao governador: o de ter e apresentar aquilo que dizia não existir: as doações recebidas.

Folclore
Em 1965 o poeta populírico, Liberalino Estevam, se imaginou como crítico aos candidatos ao governo estadual Bento Munhoz da Rocha Neto e Paulo Pimentel. Sobre esse fez o quarteto "Não assopre contra o vento// que o vento não tem lei// seja Bento cem por cento// mil por cento contra o Ney//". No versejar atacava o mandante, o adversário principal. Contra Bento rimou "Nessa era tão moderna// e de tanta confusão// Paraná não se governa// com uma garrafa na mão//".

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