LUIZ GERALDO MAZZA
Dependência relativa
Como o governo, via Legislativo, estava colocando o Tribunal de Contas em "clinch" sua reação institucional, já que poder não é, foi a de escancarar a gastança compulsiva do Palácio Iguaçu com pessoal, referência não feita na análise do balanço. Reagiu com os fios de Ariadne para não negociar o já limitado campo de autonomia que detém nessa refrega episódica diante da bronca dos prefeitos por causa da dureza das sanções, mas sem exagerar ao ponto de pleitear limites ao Gaeco que ontem deu um "show" em São Jerônimo da Serra encanando até os filhos do prefeito e o próprio, este por posse irregular de armas.
Um sinal inegável de vitalidade e energia necessário para controlar hormônios de prefeitos assustados de um lado e de outro deputados querendo faturar essa algaravia em cima de uma campanha eleitoral, esquecendo que com isso reduzem a fidelidade ao cliente mais importante, o governo, ao expor-lhe as mazelas que ninguém ignora e causa principal da resistência do Tesouro Nacional à bagunça.
Recentemente, em ato atípico, e rompendo vínculos históricos com a Urbs, fez uma auditagem sobre transportes coletivos que operou até como denúncia das deformações do sistema. Não é a sua praxe, nem o seu estilo, mas poderia ser: todos sabem que o plenário do TC filtra, politicamente, o que a sua retaguarda técnica mostra. Como esses servidores não podem ficar sob a suspeição de tolerância com os desvios oficiais, até porque exercem funções mandamentais na fé pública que ostentam, seria interessante que o público tivesse como analisar as suas intervenções na perspectiva técnica e conhecer a pasteurização do plenário que complementa e normalmente a desfigura. Seria a extrema transparência levada ao radicalismo já que não sujeita às manipulações dos portais com essa função e que mais ocultam do que revelam.
Autonomia relativa dá nisso: dependência também parcial. Por que o Tribunal de Contas da União enquadra dirigentes da Petrobras e aqui não se pode fazê-lo com as nossas instituições assemelhadas como Copel, Sanepar, etc?
Gaeco
No mesmo dia tivemos atuações do Gaeco no caso das indenizações da Petrobras a pescadores desviadas em ritmo industrial com prisões em Curitiba e outras cidades e a devassa na Prefeitura de São Jerônimo da Serra onde uma gangue, da qual participavam os filhos do prefeito, é acusada de se apropriar de recursos públicos.
O Gaeco já chegou a irritar o governador quando das investigações em tiras e delegados que achacavam empresários de autopeças em suas relações nada ortodoxas com os desmanches ao divulgar um telefonema de um xerife ao seu mais protegido auxiliar, o celebrado Ezequias, aquele que usava a sogra como fantasma para sugar-lhe a grana. Ezequias não se compromete na ligação mas o trato com o delegado é de uma intimidade chocante, tratando-se como "brother", semântica de marginais.
Embora a referência parecesse exagerada dá corpo à forma como as clientelas agem no interior do governo e isso é pedagógico. O revide foi a cruzada movida pelo então secretário Cid Vasques para reduzir o campo de ação do Gaeco. Se a atuação fosse naquela escalada teríamos desfalques tão sérios entre policiais, afastados por inquéritos, como a questão dos presídios lotados.
O melhor
Novamente o aeroporto de Afonso Pena é posto em primeiro no ranking nacional. Dá para imaginar como estão os outros.
Folclore
Essa estória de botar o aeroporto em primeiro, até porque seu movimento não é expressivo, lembra um saque publicitário dos anos 60 e 70 sobre o Porto de Paranaguá como o gerador de mais divisas líquidas do país. Ora à época a importação por ele era ridícula ao contrário da exportação fortíssima mesmo depois do abalo do café com o império dos grãos. Uma deficiência estrutural da economia, a de não importarmos, se transformava em virtude. O autor da jogada era celebrado como gênio.





